O ÓDIO DA ESQUERDA NORTE-AMERICANA À POLÍCIA

Coluna de estreia do Saindo da Bolha

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Talvez não pareça nada tão diferente assim. Ser contra as forças policiais e a favor do afrouxamento de penas e desencarceramento não é uma característica apenas da esquerda americana. Faz anos que a polícia brasileira é pintada das piores cores possíveis e a desmilitarização é pauta recorrente de políticos locais, nossos.
Mas algo mudou nos Estados Unidos. Como que, se por encanto, “como se” tudo combinado, prefeitos das maiores cidades e governadores de Estados democratas, repentinamente, em conjunto, descobriram que suas forças policiais eram violentas e racistas e, também por encanto, por todo o país, legisladores decidiram que era o momento de reduzir a verba de segurança de cidades e Estados.
Eis que surge uma dúvida: se as polícias são violentas nas maiores cidades americanas e a maior parte das grandes cidades são governadas por democratas – algumas há décadas -, porque este problema não foi corrigido anteriormente? Por que, coincidentemente agora, todas estas cidades perceberam que era hora de baixar as armas e suavizar o combate ao crime?
O assassinato de George Floyd, em Minneapolis, aparentemente foi o início de tudo. Dizem os críticos que, apesar de existirem centenas de departamentos de polícia por todo os Estados Unidos, que apenas o caso dele é suficiente para uma representação do comportamento de todas essas corporações. Não é verdade… E as estatísticas mostram o oposto desta afirmação. Ouvindo os militantes que desejam, literalmente, o fim das polícias (isso mesmo!), negros americanos são assassinados em confrontos desiguais todos os dias. As estatísticas negam. Apenas nove afro-americanos foram mortos pela polícia, por todo o país, desarmados, durante todo o ano de 2019. E isso não quer dizer que estes casos representem reações eventuais a pessoas inocentes.
A verdade é que o movimento que hoje se vê na terra de Trump tem a mesma raiz daqueles que desejam relativizar a segunda emenda, ou seja, desarmar a população. Hordas violentas têm destruído cidades por todo o país com uma promessa: desarmem o cidadão, destruam a polícia e nós paramos com isso. Você acredita em negociações desse tipo?
Se a sua resposta é não, movimentos conservadores americanos concordam com você. Manifestações a favor das forças policiais se iniciaram, batizadas de Blue Lives Matter. Mas você não vai ver transmissão ao vivo destes movimentos. A imprensa americana continua a jurar de pés juntos que tudo quanto tem acontecido são movimentos pacíficos e o que escapa de controle é natural. Culpa de Trump.
Lá como aqui, a esquerda não gosta da polícia. Lei e ordem sempre foram uma preferência de eleitores à direita, no espectro político. Cabe, portanto, à esquerda, ser o oposto. Nem que, para isso, centenas de inocentes sejam mortos todos os anos. Pessoas que não podem contar com sistemas de segurança pessoal, como os políticos, e nem vivem em bairros bem-estruturados da classe média-alta. São exatamente as pessoas mais vulneráveis à pobreza e à violência que mais precisam da presença do Estado para viver em paz. É exatamente este segmento social que a esquerda promete defender, mas são exatamente eles os mais desprezados nas estratégias de segurança em governos de esquerda norte-americanos.

Tom Sarti – Editor do podcast Saindo da Bolha

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