Coordenador da Pastoral do Povo de Rua de São Paulo, o padre Julio Lancellotti publicou nas redes sociais uma série de denúncias contras as ações da zeladoria urbana da Prefeitura de SP na retirada de pertences de moradores de rua na região do Centro da capital paulista.

Na quinta-feira (20), moradores tiveram seus pertences confiscados na região da Praça da Sé.

Agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) participaram da ação com a zeledoria. 

Padre denuncia aporofobia no Brasil

Foram tantos os gestos de boa vontade que fica difícil enumerar todos para justificar algo que brasileiro nenhum haverá de discordar: Júlio Lancellotti, conhecido como o ‘padre rebelde’, é o homem do ano no Brasil. 

Pároco da Igreja São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, é o Coordenador da Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo.

O perfil do padre Júlio Lancellotti no Instagram virou uma ferramenta poderosa. Com mais de 960 mil seguidores, ele consegue falar com uma comunidade maior do que a paróquia de São Miguel Arcanjo, que coordena em São Paulo. Foi lá que ele começou a compartilhar as primeiras postagens de exemplos de aporofobia, explicando o conceito dessa aversão aos pobres

Foto do Padre Lancellotti denunciando aporofobia que viralizou na internet

À primeira vista, aporofobia pode parecer uma coisa nova. De fato, o termo, cunhado pela filósofa espanhola Adela Cortina, professora da Universidade de Valência, existe há pouco mais de 20 anos, mas foi eleito como a palavra do ano em 2017, pela Fundação Espanhol Urgente. 

No Brasil, o conceito tem se tornado mais conhecido desde o ano passado, devido à atuação do padre Júlio Lancellotti, líder da paróquia de São Miguel Arcanjo, em São Paulo, e ativista pelos direitos das pessoas em situação de rua. 

“Existe um imaginário que as pessoas vão para a rua porque querem. Mas existem questões estruturais relacionadas ao desemprego. Estamos vivendo uma crise econômica com outras crises”.

Aporofobia é um termo que vem da junção de duas palavras gregas, segundo a própria Adela Cortina: ‘áporos’, o pobre, e ‘fóbeo’, que refere-se à repulsa, ao ódio, ao medo. Assim, ‘aporofobia’ passou a significar a aversão a pessoas pobres. Daí decorrem estigmas como os de que pessoas pobres são sujas ou perigosas, por exemplo. 

 “Essa aversão sempre existiu, como existe a aversão a mulher, a negro. Se a mulher é pobre, é uma aversão maior. Se é uma mulher negra pobre, é maior. Se é uma mulher trans, é pior ainda”, acrescenta.

Padre Júlio trabalhou decadas para ganhar a respeitabilidade de que desfruta: atuou durante toda sua vida ao lado de refugiados, da população LGBTQIA+, dos portadores de HIV e da população carcerária.

Mas ganhou destaque mesmo pelo seu trabalho com as pessoas em situação de rua na cidade de São Paulo. 

Libertador por natureza, defende que, para viver o Evangelho de Cristo, é preciso estar ao lado dos oprimidos e lutar em conjunto pelos seus direitos.

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