“O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte”, Friedrich Nietzsche

Caro amigo leitor do Centro de Notícias! Diante do cenário atual de destruição de todas as nossas crenças e esperanças por um mundo melhor e no ser humano, resta nos perguntar pelo trabalho da morte, no nosso dia-a-dia, enquanto seres psicológicos, sociais e políticos? Com relação ao plano psicológico, a morte de pessoas próximas e queridas prenuncia nosso próximo e inexorável destino. Além do pavor da morte, uma pergunta que não quer calar, o que vamos deixar para a eternidade ou simplesmente: “do pó viemos e ao pó retornaremos”?

A pulsão de morte era entendida por Freud como uma tendência que levaria à eliminação da estimulação do organismo. Assim, o trabalho dessa pulsão teria como objetivo a descarga, a falta do novo, a falta de vida, ou seja, a morte. No nível social, a contagem mórbida das mortes por Covid, cotidianamente e de forma espetacularizada pela mídia, espalha paranoia contra o outro e o mundo. O cenário social de propagação da miséria, doença, destruição das instituições, dos povos primitivos, do meio ambiente e das relações afetivas e subjetivas, nos mostra o quanto nossa existência é fugaz e sempre está por um fio…

Já éramos descrentes dos políticos, mas agora com essa “necropolítica” vigente, no íntimo inconfessável, amigo leitor, desejamos a morte de vários deles, especialmente dos mercadores e mercenários da vacina e da morte. Mas o que é necropolítica? O filósofo camaronês Achille Mbembe foi o primeiro estudioso a explorar o termo “necropolítica”, em profundidade no ensaio Necropolitics, publicado em 2003 na revista Raisons Politiques. A necropolítica é frequentemente associada ao “biopoder“, conceito criado por  Foucault para referir-se ao uso do poder social e político para controlar e disciplinar a vida das pessoas.

Na visão de Mbembe, a necropolítica é mais do que o direito de matar, mas também o direito de expor outras pessoas (incluindo os próprios cidadãos de um país) à morte. Sua visão da necropolítica também inclui o direito de impor a morte civil ou social, o direito de escravizar outrem, e outras formas de violência política. A necropolítica é uma teoria dos “mortos vivos”, ou seja, uma forma de analisar como “as formas contemporâneas de subjugação da vida ao poder da morte” forçam alguns corpos a permanecerem num estado entre a vida e a morte.

Esse fenômeno aconteceu nas fronteiras da civilizada Europa, com milhares de africanos mortos por afogamento no Mediterrâneo. Mbembe usa os exemplos da escravidão, do apartheid, a colonização da Palestina e a figura do terrorista suicida para demonstrar como diferentes formas de necropoder sobre o corpo (fascismo, racismo e homofobia, estado de exceção, urgência, martírio) reduzem pessoas a condições de vida precárias. No nosso país, governado por um terrorista e sua corja espalhando viroticamente sua necropolítica, só nos resta lembrar o velho Nietzche: “O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte”. A ideia dele é mostrar como somos capazes de aprender e ficar mais fortes emocionalmente, a partir das nossas experiências de vida, incluindo e principalmente as mais difíceis e dolorosas.

“Quando se toma a resolução de tapar os ouvidos mesmo aos mais válidos argumentos contrários, dá-se indícios de caráter forte. Embora isso também signifique eventualmente a vontade levada até a estupidez”. (Friedrich Nietzsche)

Coluna | "Sentidos da vida cotidiana no Mundão" Sérgio Kodato é professor doutor da USP e Coordenador do Observatório de Violência e Práticas Exemplares, da USP de Ribeirão Preto, além de autor do livro: “O Brasil Fugiu da Escola: motivação, criatividade e sentido para a vida escolar.”

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