Benito Mussolini saudando a multidão em Roma

De acordo com o jornalista e professor Luís Eblak, “esta é a definição prática de reacionarismo, ideia daqueles que aspiram a volta de um passado que nunca existiu”. O sentido histórico do termo “reacionário” refere-se àquele que se contrapõe ao presente, e consequentemente às mudanças revolucionárias, sociais e políticas. Nesse sentido, entende-se como reação o conjunto de forças que atuam no sentido de retorno à um passado vislumbrado como utópico?

Reacionário pode ser definido como uma pessoa ou entidade com “opiniões políticas” que favorecem o retorno a um estado político anterior da sociedade. Nesse sentido, o chamado reacionário destila pontos de vista e políticas destinadas a restaurar um status quo do passado, no nosso caso, a famigerada ditadura militar. Um reacionário é literalmente alguém que reage contra todo o desenvolvimento ou mudança, ou se opõe as propostas de transformação da sociedade, considerado um conservador.

O adjetivo “reacionário” é frequentemente utilizado no contexto do espectro ideológico e político entre esquerda e direita, e é uma tradição na política que os ricos e privilegiados sempre se coloquem à direita, porque querem que nada mude. No uso popular, é comumente usada para se referir a uma posição altamente tradicional, oposta à mudança social ou política. Um reacionário anseia por derrubar uma condição atual de percebida decadência e recuperar um passado idealizado.

Tais indivíduos e políticas reacionárias boicotam o processo de transformação social, e contam com o apoio de personalidades ou políticas conservadoras que buscam mudanças cosméticas ou a preservação da situação atual de desigualdade social. As ideologias reacionárias também podem ser radicais, no sentido de extremismo político, a serviço do restabelecimento das condições passadas. No discurso político, ser reacionário é geralmente considerado negativo;

O reacionário nasce do mesmo parto que gerou o revolucionário. O termo foi empregado pela primeira vez no contexto da Revolução Francesa (1789-1799), no sentido de que reacionários eram os que reagiam contra as mudanças iniciadas pela Revolução e pretendiam um retorno ao Antigo Regime. Mas como é possível, “pobre e reacionário”? Volto ao meu amigo Eblak que leu: “Psicologia de Massas do Fascismo”, de Wilhelm Reich (1897-1957).

“Nesta obra, o autor tenta entender por que os alemães proletários resolveram apoiar em massa o nazismo, mesmo Hitler tendo governado contra seus interesses. A questão é importante porque anos antes os russos escolheram o socialismo, o que, na época (o livro foi publicado em 1933), era uma alternativa viável, visto que depois viria a então URSS. A explicação de Reich é que os alemães desde crianças eram educados com alto grau de repressão sexual enquanto isto não acontecia na sociedade russa”.

Coluna | "Sentidos da vida cotidiana no Mundão" Sérgio Kodato é professor doutor da USP e Coordenador do Observatório de Violência e Práticas Exemplares, da USP de Ribeirão Preto, além de autor do livro: “O Brasil Fugiu da Escola: motivação, criatividade e sentido para a vida escolar.”

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