O aposentado Miguel Guarino não abre mão de assumir o volante
Um levantamento feito pelo Detran.SP comprova que a passagem dos anos não representa um obstáculo para que os motoristas com idades acima dos 60 anos mantenham vivo o desejo de continuarem a dirigir. Entre junho de 2015 e o mesmo período deste ano foi registrado em Ribeirão Preto um crescimento de 47,6% no número de CNHs registradas para condutores dessa faixa etária, de 44.577 mil para 65.798 mil, índice maior que a cidade de São Paulo, que foi de 33%.

No Estado de São Paulo, entre junho de 2015 e o mesmo período deste ano foi apontado aumento de 45% no número de CNHs registradas para condutores dessa faixa etária, um aumento de 2.393 milhões para 3.474 milhões.
Para o arquiteto e professor de Planejamento Urbano da PUC-Campinas, Thiago Amim, o crescimento no uso de carros nas cidades de grande e médio porte do interior paulista em relação à capital tem relação não apenas com um sistema de transporte público menos qualificado, mas também com a forma como essas cidades se desenvolvem.
“Em praticamente todos os casos, as maiores cidades do interior paulista são menos adensadas e mais espalhadas do que São Paulo, o que acaba tendo como consequência uma utilização mais frequente do automóvel nos deslocamentos”
Especialistas apontam fatores culturais, econômicos e até mesmo de saúde como possíveis explicações para esse interesse dos mais velhos em permanecerem ativos como motoristas.
De acordo com José Montal, diretor da Associação Brasileira de Medicina do Trabalho (Abramet), à medida que Medicina avança na prevenção de doenças há um consequente aumento na expectativa de vida saudável da população, e, como consequência, a participação de condutores idosos no universo da população de motoristas habilitados. 

Márcia Menezes, diretora-executiva da Federação Nacional das Cooperativas de Trabalho dos Médicos e Psicólogos Peritos de Trânsito (Fenactran), destaca que os idosos de hoje são de uma geração proativa, e mais independente se compararmos com pessoas da mesma faixa etária no passado. “Essa população cresce em uma velocidade duas vezes maior que a geral. Eles chegam aos 60 anos de forma independente, o que se reflete no trânsito”, afirma.

De acordo com as normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e válidas em todo o país, não há limite máximo de idade para que uma pessoa dirija. No entanto, a renovação da CNH deve ser feita a cada cinco anos para os motoristas com idade entre 50 e 69 anos e três anos para os motoristas com idade igual ou superior a 70 anos ou em período menor, de acordo com a avaliação médica.

“É animador verificar que as pessoas com mais de 60 anos estão cada vez mais ativas e dispostas a continuar dirigindo, desde que todas as condições de segurança e saúde sejam avaliadas com base nos critérios definidos pelo Contran”, ressalta o diretor-presidente do Detran.SP, Neto Mascellani.

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