Há divergências sobre a origem da palavra negro. Mesmo entre os historiadores que trabalham com a etimologia das palavras não há um consenso. No mundo lusófono, entre os países que usam a língua portuguesa, o termo é usado em relação a alguma pessoa de ascendência africana. Para alguns historiadores, a palavra não carrega conotação racista. Questão de interpretação.

O CDN, porém, com seu conselho editorial, munido das informações sobre o assunto e, ainda, no contexto brasileiro, toma uma posição e usa, há algum tempo, a palavra preto para designar pessoas de origem étnica preta ou africana. Diante da situação social ocorrida no Brasil com o povo preto, comparável ao Holocausto dos judeus, e das estatísticas que podemos conferir hoje como herança desta história nefasta, no último país a abolir a escravidão, as palavras não soam apenas como palavras.

Se os historiadores divergem sobre a origem dos termos: negro, denegrir, serviço de preto e outras expressões como criado mudo, mercado negro e outras, o CDN toma uma posição. Se os especialistas não sabem o caminho, nós tomamos o caminho que menos ofende a etnia em questão. Para o CDN a questão é definida e definitiva, o povo chamado de negro é o povo preto, e aqui neste portal, assim será.

O motivo? A falta de consenso entre os historiadores e a ausência de informação, principalmente nas periferias do Brasil, não impede que os termos, ainda que historiadores digam que não sejam racistas, ofendam as pessoas da etnia preta. Sim, simples assim. Como não há consenso e a informação não chega, vamos pelo caminho que menos agride as pessoas envolvidas.

Neste dia da consciência negra então, soando como um contrassenso, o CDN assume publicamente sua posição. Aqui, neste portal, o povo chamado de negro será designado como povo preto.

Apesar do fato de que em alguns países africanos, principalmente de idioma lusófono, o termo, às vezes, não soar pejorativo, na língua inglesa, os próprios pretos decidiram usar a palavra “black” e repudiar o termo “nigger” usado por seus inimigos racistas, que enforcavam e queimavam pessoas simplesmente pelo fato de serem pessoas pretas (execuções que ainda não deixaram de ocorrer no Brasil).

E aos que são contra a data, contra o feriado, o CDN apenas relembra que nós, no Brasil, vivemos 364 dias do ano sob influência da historiografia branca, Apesar de o jazz, o blues, o rock, o rap, o reggae e consequentemente a música e a cultura pop mundial serem quase que completamente influenciadas pelos pretos, os brancos ainda seguem contando a história.

Se o caminho natural é esse, o CDN fica satisfeito em caminhar na contramão, e fazendo alusão ao verso de Emicida: “no caminho da luz, todo mundo é preto”, o CDN corrobora, concorda e apoia essa posição.

Ponto final.

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