Três surfistas relataram ter encontrado um tubarão na Praia Central de Balneário Camboriú, no Litoral Norte, na quarta-feira (13). O animal chegou a encostar em um deles, mas não houve ataque e nem feridos.

Para o pesquisador e curador do Museu Oceanográfico da Univali Jules Soto o aparecimento dos animais no local tem relação com as obras de alargamento.

“É uma realidade. Eles estão aparecendo em um número maior principalmente nos últimos dois meses e isso se deve, muito provavelmente, por causa do distúrbio da dragagem, da jazida de areia que está sendo tirada para fazer o engordamento da praia. Era de certa forma esperado. É um fenômeno normal, visto que os tubarões são extremamente sensíveis ao ambiente. Qualquer alteração gera um distúrbio na dinâmica do ecossistema desse local”, disse.

Como a interação com o animal foi rápida, os surfistas não conseguiram detalhar suas especificidades e a espécie dele não pôde ser identificada. 

O contato entre o tubarão e o surfista ocorreu a cerca de 200 metros da praia, longe da área de banhistas. A localidade é próxima ao atual ponto das obras de alargamento da faixa de areia.

O especialista afirma que os animais são de espécies comuns na costa de Santa Catarina e que muitas delas nunca registraram ataques aos seres humanos.

Ele diz como o processo se desenvolve. “Camarões, pequenos invertebrados e pequenos peixes vem comer os organismos retirados do sedimento e que estão em suspensão. Isso atrai peixes um pouco maiores e com isso os tubarões, que vem comer esses peixes. Fazendo uma analogia, é como no campo: quando passa um trator com os discos de arado, potencialmente há uma grande concentração de aves que vem comer larvas de insetos e vermes da terra que ficam expostos. É a mesma coisa no fundo marinho e é o que vem acontecendo em Balneário Camboriú”.

Não há motivo para desespero, garante o geógrafo. “Quando se fala em tubarão, as pessoas associam automaticamente a ataque, elas entram em pânico por causa desse estigma com o nome ‘tubarão’. As espécies de tubarões potencialmente agressivas são raras, e não são típicas das praias de Santa Catarina, que não registram ataques como acontecem no Nordeste. Temos dados dos anos 60 de que pescadores artesanais chegavam a pegar de 15 a 20 tubarões todas as noites, e não há registros de ataques naquela época”.

Soto diz ainda que a obra pode ser positiva. “O engordamento da praia lá pode recuperar um ecossistema que estava perdido. Lá não tinha mais praia, não existia mais como fazer preservação lá”.

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