Jorge Araújo/Fotos Públicas

O novo Censo da População de Rua de São Paulo, divulgado neste domingo (24), aponta dados alarmantes sobre o crescimento da população em situação de rua na capital: em dois anos o aumento foi de 31%. Atualmente, há 31.884 pessoas vivendo nas ruas da cidade, em 2019 era 24.344 pessoas. O perfil majoritário que estão atualmente nas ruas da capital paulista é de homens com idade economicamente ativa média de 41,7 anos e 70,8% deles são pretos ou pardos.

O aumento de 7.540 pessoas equivale a toda a população em situação de rua no Rio de Janeiro em 2020, segundo compara a prefeitura de São Paulo.

Do total da população de rua, 39,2% das pessoas são naturais da própria cidade de São Paulo, 19,86% são de outras cidades do estado de São Paulo e 40,94% são naturais de outros estados do Brasil, como Bahia (8,47%), Minas Gerais (5,44%) e Pernambuco (5,28%).

O primeiro Censo da População em Situação de Rua realizado cidade depois do início da pandemia de Covid-19 mostrou as consequência socioeconômicas que vieram com a crise sanitária. O censo, que deveria ser realizado em 2023 conforme prevê a legislação, foi antecipado devido ao agravamento da crise e, segundo a prefeitura, pela necessidade de oferecer soluções rápidas para apoiar esta população.

Em relação ao levantamento de 2019, os dados do Censo revelam que os distritos na região administrativa da Subprefeitura da Mooca registraram o maior aumento de concentração de pessoas em situação de rua. Em 2019, havia 1.419 pessoas na região e, agora, há 2.254: um crescimento de 170% em apenas dois anos.

Já na região administrada pela Subprefeitura da , o aumento em números absolutos foi de 973 pessoas.

“Os motivos de a população de rua se concentrar em sua maioria nos bairros ao redor da área central permanecem inalterados, ou seja, estão relacionados a fatores como mobilidade, trabalho e facilidade de alimentação”, mostra a pesquisa.

Famílias em barracas

Classificadas como “moradias improvisadas”, as barracas nas ruas tiveram um crescimento de 330% em 2021, em comparação com os dados de 2019.

“Enquanto no recenseamento anterior havia 2.051 pontos abordados com barracas improvisadas, em 2021 foram computados 6.778 pontos”, disse a prefeitura.

Outro dado importante é que o percentual de mulheres em situação de rua cresceu de 14,8% do total dessa população, em 2019, para 16,6% em 2021. Do mesmo modo, a população trans/travesti/agênero/não binário/outros também aumentou: representava 2,7% em 2019, e agora, soma 3,1% da população nas ruas da cidade.

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