STJD denuncia Carol Solberg por fala contra Bolsonaro na televisão

Por dizer “Fora, Bolsonaro”, a jogadora de vôlei de praia Carol Solberg é duramente repreendida pela Confederação Brasileira de Vôlei, que divulga nota de repúdio e ameaça tomar medidas cabíveis contra a atleta

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 O Subprocurador Geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Voleibol, Wagner Dantas, encaminhou a denúncia para a secretaria do STJD, que agora será autuada e designada para a sessão de julgamento. Carol ainda será intimada para apresentar defesa.

Carol Solberg foi denunciada com base nos artigos 191 e 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). O primeiro deles faz alusão ao cumprimento do regulamento da competição: “deixar de cumprir, ou dificultar o cumprimento de regulamento, geral ou especial, de competição”. E o segundo à atitude antidesportiva: “assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras deste Código à atitude antidesportiva”.

O caso ocorreu após a partida pelo bronze da etapa de Saquarema (RJ) do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia. No final do jogo, Carol Solberg disse: “Fora, Bolsonaro” em entrevista ao SporTV, que transmitia o torneio domingo de manhã. A súmula do jogo, porém, não cita a fala, ocorrida depois que a súmula foi fechada e, o jogo, dado como encerrado.

Sobre possíveis punições, no caso do artigo 191, Carol pode receber multa entre R$ 100,00 e R$ 100 mil ou ser apenas advertida. No caso do 258, a atleta pode ser vetada de competir de uma a seis partidas, bem como ser suspensa de 15 a 180 dias. O segundo artigo também prevê substituição de pena por advertência.

No termo de participação do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2020/2021, anexo ao regulamento do torneio, os jogadores se comprometem “a não divulgar, através dos meios de comunicações, sua opinião pessoal ou informação que reflita críticas ou possa, direta ou indiretamente, prejudicar ou denegrir a imagem da CBV e/ou os patrocinadores e parceiros comerciais das competições.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil será o defensor dela no julgamento. Solberg falou em entrevista anterior que não se arrepende do gesto. Jornalistas falam em liberdade de expressão.

Nas redes sociais, perfis bolsonaristas atacaram Carol e cobraram que o Banco do Brasil retire o patrocínio a ela. Carol, na verdade, não é patrocinada pelo banco. Diversos perfis bolsonaristas também reproduziram notícia falsa sobre um site de apostas ter cancelado o patrocínio à jogadora. Esse patrocínio, porém, se encerrou em novembro de 2019, quando Carol encerrou dupla com Maria Elisa.

Lembramos que, na campanha presidencial de 2018, Wallace e Maurício Souza, do vôlei de quadra masculino, fizeram com os dedos o número 17 —de Jair Bolsonaro— em uma foto durante a disputa do Mundial. 

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