O artista plástico macuxi Jaider Esbell, de 41 anos, foi encontrado morto no apartamento em que morava no estado de São Paulo, na tarde desta terça-feira (2). 

Jaider estava com a exposição Moquém_Surarî: arte indígena contemporânea, coletiva, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), desde setembro.

A mostra que fica disponível ao público até o final do mês de novembro, reúne pinturas, esculturas, e obras referentes a diversos povos indígenas. A exposição foi promovida pelo MAM e a Fundação Bienal de São Paulo.

O artista nasceu em 1979, em Normandia, no estado de Roraima, na terra indígena Raposa Serra do Sol, e se consolidou nos últimos anos como uma das figuras centrais da arte indígena contemporânea no país, ao lado de nomes como Denilson Baniwa e Isael Maxakali. Ele se mudou para Boa Vista aos 18 anos, quando já havia participado da articulação de povos indígenas e de movimentos sociais.

Esbell ficou conhecido por expressar a cosmologia dos Makuxi através de sua obra.
Artista e escritor de origem macuxi, ele mescla escrita, pintura, desenho, instalação e performance, inspirado por mitos indígenas e questões socioambientais. Ele chegou a ser indicado ao Prêmio PIPA em 2016, maior premiação da arte contemporânea brasileira e é uma das vozes mais importantes da arte contemporânea indígena.

No cerne de sua obra está a figura do jenipapo, planta fundamental na cosmologia makuxi, etnia da qual faz parte. É ela que aparece em pinturas de Esbell com motivos mitológicos e que tinge tecidos que ele elabora.

“Ele era uma liderança fundamental para o campo da cultura, como artista, curador e agitador cultural”, lamenta Cauê Alves, curador-chefe do MAM. “É um fato muito triste para o Brasil, num momento que ocorre a COP26, quando todo mundo pensa em adiar o fim do mundo”.


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