“Todos nós já sentimos na pele. Acho que para a mulher em si este tipo de pressão ainda é maior”, diz Deborah Andreasen. Foto: Reprodução/Instagram @debyandreasen

Por: Mika Mattos

Persistir, acreditar e lutar. Esses foram os meios encontrados por Beverly Johnson durante a sua trajetória enquanto jovem negra na década de 70 para alcançar o sonho de ser uma grande modelo. Ela fez história na indústria fashion ao se tornar a primeira mulher preta na capa de duas grandes revistas de moda (Vogue e Elle) e é considerada pelo jornal The New York Times como uma das figuras mais influentes da moda no século XX.

Mas a sua carreira não foi marcada apenas pelo glamour, principalmente em uma época que havia pouca ou quase nenhuma representatividade. Quando ainda modelava, Johnson conta que chegou a passar por situações difíceis com os trabalhadores de backstage que não sabiam como lidar com a estética negra, e isso consequentemente fazia com que ela mesma tivesse que se preparar para os seus trabalhos:

“Naquela época, não havia maquiadores negros ou cabeleireiros negros. As pessoas que eles contratavam não tinham ideia do que fazer com meu cabelo. Então eu ia ao banheiro e molhava meu cabelo ou alisava com vaselina e colocava em um coque. O mesmo com a maquiagem – eu mesma fazia”, diz a modelo em relato à revista People.

Beverly Johnson na capa de 1975 da ‘Elle’ francesa. Foto: Reprodução/ Elle

Durante muito tempo o mercado da moda alimentou um convencionalismo branco. Na alta costura, por exemplo, a intolerância dava o tom da vida social, e o racismo desfilava a céu aberto. E era a última tendência nas grandes capitais da moda internacional (Nova York, Londres, Milão e Paris). Era bonito ser racista. O estilista italiano Pierpaolo Piccioli, designer da Valentino que já passou por marcas como Fendi e Dior, disse em entrevista ao portal Glamour, da Globo, que não há possibilidade que os desfiles de Alta Costura não abram as portas para introduzir a diversidade em suas passarelas. “Hoje em dia, a única forma de manter a Alta Costura viva é abraçando a diversidade feminina, seja pela cultura ou identidade”, afirma Pierpaolo.

A moda da vida real e a busca constante pela diversidade

Deborah Andreasen que começou a carreira de modelo já na vida adulta, aos 34 anos, é, também, empresária e embaixadora da nova fragrância de Elian Gallardo. E conta que a pressão estética é algo que esteve presente em sua vida, principalmente por ser mulher negra: “Todos nós já sentimos na pele. Acho que para a mulher em si este tipo de pressão ainda é maior”.

A modelo conta que os olhares maldosos sempre estiveram presentes durante sua trajetória, mas que no mundo da moda encontrou uma nova narrativa. E não hesita em dizer que os padrões de hoje em dia são bem diferentes, e que para ser modelo não basta apenas ter um rosto bonito, mas é preciso personalidade! E ainda aconselha: “Não se iluda com propostas fantasiosas, procure uma agência séria e mantenha os pés no chão”.

Foto: Reprodução/Instagram @eliangallardo.oficial

         Hoje, já sente o seu poder de influência, e usa isso para encorajar outras pessoas: “Estou vivendo uma fase de mostrar como eu sou, mostro o empoderamento feminino […] que as mulheres negras estão no mercado”, ressalta.

Para quem tem o sonho de ser modelo, Andreassen diz que é preciso muito preparo para obter destaque e ter bastante foco para não desistir! E claro, ter um time que dê bons conselhos e uma boa base, assim como Elian Gallardo, seu agente, que também é produtor artístico e manager de modelos.

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