Rentabilidade estratosférica, retorno em curto prazo. Seja pelo cenário de juros baixos ou pela fórmula de dinheiro fácil, promessas assim têm atraído cada vez mais investidores para esquemas financeiros como o descoberto no mês passado em Cabo Frio (RJ). Como resultado das investigações, a Polícia Federal prendeu o dono da GAS Consultoria Bitcoin, o ex-garçom Glaidson Acácio dos Santos, acusado de fraudes bilionárias envolvendo criptomoedas.

Desperta a atenção dos estudiosos recente ilícito que trouxe prejuízo coletivo em face de operações com criptomoedas, em “pirâmide financeira”.

A investigação sobre o esquema de criptomoedas no Rio mostra que a maior parte do dinheiro investido pelas vítimas foi para contas pessoais de Glaidson Acácio do Santos e dos outros chefes da organização criminosa. Segundo a polícia, eles montaram uma pirâmide financeira e lavaram dinheiro.

Segundo a investigação, a empresa de Glaidson, a GAS Consultoria e Tecnologia, “recruta massiva quantidade de dinheiro de clientes que são levados a erro, pois acreditam que estão corretando bitcoin, mas que na verdade são remunerados com pagamentos de dinheiro de novos contratos, criando uma pirâmide insustentável”, o que vai causar “uma enxurrada de registros de estelionato em todo Brasil.”

Segundo a polícia, “o capital das vítimas, em sua grandiosa maioria, não é investido em criptomoedas pela GAS Consultoria e Tecnologia. A maior parte do dinheiro dos clientes sai da conta bancária da GAS e vai diretamente para a conta bancária de Glaidson, Mirelis, Tunay, Vicente, dentre outros integrantes da organização criminosa”.

Em nota, a empresa GAS diz que “os depósitos de valores de terceiros eventualmente efetuados na conta pessoal de Glaidson foram feitos quando ele era autônomo”. Quando abriu a empresa, diz a nota, Glaidson não usou mais contas de pessoa física. A empresa nega ter praticado pirâmide financeira e lavado dinheiro.

O grande número de fraudes tem sido motivo de preocupação para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que recebe consultas e denúncias de esquemas – parte dos quais foge de seu escopo de atuação. Apenas no ano passado, o “xerife do mercado” enviou 325 comunicados de indícios de crimes financeiros aos Ministérios Públicos (Federal e estaduais), 75% a mais em relação ao ano anterior.

Criada há um século pelo italiano Carlo Ponzi (que até chegou a morar no Brasil), a pirâmide financeira é um esquema pelo qual novos investidores pagam pelos ganhos elevados dos mais antigos, até que o negócio “estoura”, quando o novo dinheiro que entra é insuficiente para sustentar os lucros.

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