Unicef ​​afirma que 86 milhões de menores só na América Latina não voltaram à escola.

Elas já são chamadas de “a geração perdida”: em relatório recente, a ONU alertou que quase 1 bilhão de crianças em todo o mundo correm o risco de “perda de aprendizagem” significativa devido a interrupções na frequência escolar durante a pandemia da Covid-19.

Em muitos países, o sistema educacional está prestes a entrar em colapso, se outros fatores como mudanças climáticas e conflitos internos forem adicionados, além da pandemia.

A jornalista da BBC na Índia Divya Arya descobriu que crianças em várias regiões deste país asiático “se esqueceram de ler e escrever” porque foram impedidas de frequentar a escola no ano passado. 

Arya revela o caso de Radhika Kumari, de 10 anos, que basicamente se esqueceu de ler e escrever porque “passou 17 meses” fora da sala de aula.

Na América Latina, o quadro é semelhante: segundo o relatório da Unicef, o braço da ONU para a infância e adolescência, ​​há uma semana, cerca de 86 milhões de crianças ainda não voltaram às aulas, colocando em risco o progresso do aprendizado e os níveis de conhecimento previamente adquiridos. 

“Nos últimos 18 meses, a maioria das crianças e adolescentes da América Latina e do Caribe não viu seus professores ou amigos fora de uma tela. Quem não tem internet não os viu diretamente”, explica Jean Gough, diretor-regional da Unicef para a América Latina e o Caribe.

A realidade é ainda mais dura entre os grupos mais vulneráveis, para os quais a evasão escolar já era um problema antes da pandemia.

Para muitos especialistas em psicopedagogia e processos educacionais, está claro que as crianças precisam retornar à sala de aula o mais rápido possível. 

O desaparecimento desse espaço de aprendizagem e socialização tem sido para muitos meninos e meninas — principalmente entre as famílias de menor nível sociocultural — “uma catástrofe”.

“A perda de conhecimento não é só não ter aprendido determinados conteúdos, mas sim o fato de perder o ritmo, o hábito, a rotina escolar”, afirma Guillermina Tiramonti, especialista em educação e pesquisadora da Flacso Argentina, à BBC News Mundo.

“Tome como exemplo os códigos linguísticos. As crianças dos setores socioculturais inferiores não estão acostumadas com esses códigos complexos e só têm acesso a eles na escola, onde são essenciais para o avanço do conhecimento. Não têm acesso a eles em casa.” 

Para crianças que não são expostas a esses códigos há dois anos, o declínio cognitivo é muito grande, conclui Tiramonti.

“É preciso muito trabalho profissional para encontrar formas de recuperar o tempo perdido”, assinala.

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