O Museu da Cana, localizado na Fazenda Engenho Central (Pontal – SP), por meio de seu programa de educação ambiental “Verdear”, passará a oferecer para as comunidades do seu entorno encontros de sensibilização sobre restauração florestal. A iniciativa é baseada no trabalho que o Museu vem realizando em suas matas desde 2020, buscando a recuperação do ecossistema na região.

O primeiro encontro, dividido em duas turmas, foi realizado no dia 4 de outubro para funcionários da Raízen que atuam no cultivo da cana-de-açúcar nos arredores da Fazenda Engenho Central. Na ocasião, também foi abordada a importância da prevenção e combate aos incêndios, principalmente em períodos de seca prolongada como ocorreu este ano. Para marcar o encontro, ao final das atividades, cada turma plantou uma árvore nativa.

“A ação em parceria com o Museu da Cana é importante pois reforça e estimula novas habilidades e boas práticas nos funcionários, movimento que reflete em melhorias dentro e fora das operações. Nossa estratégia prevê uma atuação continua junto às comunidades em que estamos inseridos e ações como estas são fundamentais para o desenvolvimento sustentável, engajado e colaborativo em toda a cadeia produtiva”, afirma Daniel D’Agostino, superintendente de Polo na Raízen.

Segundo o ecólogo e doutor em Ciências Biológicas pela Unesp de Rio Claro, Aloysio Teixeira, que participou do encontro, o ano de 2021 é marcado pelo início da década da restauração, instituída pela ONU (Organização das Nações Unidas) em todo o planeta. 

Ele explica que diante de inúmeros problemas como aquecimento global, secas prolongadas, extinção de espécies, intenso consumo e degradação dos recursos naturais, é preciso ações efetivas para a conservação da biodiversidade e a expansão de áreas florestadas para a garantia de serviços ambientais fundamentais para todas as formas de vida na terra, inclusive a humana. Dentre os serviços prestados pelas florestas, Teixeira destaca a regulação do regime de chuvas; o controle de processos erosivos; o fornecimento de água para abastecimento público, industrial e agrícola; a polinização de plantas nos cultivos agrícolas; o sequestro de carbono do ar e seu armazenamento nos tecidos vegetais.

“Iniciativas de restauração florestal como a do Instituto Engenho Central, por meio do Projeto Verdear, devem ser incentivadas e iniciadas o quanto antes. Para que essas ações sejam efetivas e resultem em ganhos socioambientais, é necessário o envolvimento de produtores rurais, instituições, universidades, órgãos governamentais e toda a sociedade civil”, frisa Teixeira.

Leila Heck, diretora do Museu da Cana, esclarece que o projeto iniciou com um profundo estudo sobre as plantas, clima, solo e mapeamento hídrico da APP (Área de Preservação Ambiental) abrigado no território do Museu da Cana. “Para os funcionários que trabalham próximos a mata, compreender o programa resulta em mais cuidados, e nos ajudará a preservar esse local, ficando mais vigilantes à depredação, à caça e aos riscos de incêndios pois embora se encontre bastante degradada, incrivelmente ela guarda um rico potencial de água, plantas e animais”, enfatiza

A região do Museu da Cana compreende 24 hectares de mata Atlântica e cerrado, que em cinco anos deverá estar totalmente restaurado com plantas nativas que irão proteger as seis nascentes ali existentes, que formam um córrego que deságua no rio Mogi.

A O destaque do Verdear está em ser um programa de restauração da mata combinado com a educação ambiental, o que irá oferecer um material pedagógico para servir de suporte às escolas municipais das cidades vizinhas do Museu da Cana.

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