A entrada de um meteoro na atmosfera da Terra foi vista por moradores do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, na noite de sexta-feira (14). Estudos para analisar o local da queda já foram iniciados. Não houve relatos de danos causados pela queda do objeto, mas moradores puderam sentir um impacto de colisão.

O fenômeno foi visto em Uberlândia, Patos de Minas, Nova Ponte, Santa Juliana, Pedrinópolis, Monte Carmelo e Perdizes. Moradores de Goiandira (GO) também registraram o clarão. Segundo relatos, o chão tremeu nas cidades mineiras e um estrondo pôde ser ouvido. Câmeras de segurança das cidades e moradores com celulares gravaram o momento da queda do meteorito. O meteoro foi avistado por volta das 20h53.

De acordo com o coordenador do Observatório de Astronomia de Patos de Minas, Gilberto Dumont, estações de outros estado também registraram a entrada. A hipótese de que algum fragmento tenha chegado ao solo começou a ser estudada.

“Em Patos foi visto também, porém não ouviram o barulho, provavelmente pela distância. Alguns colegas que possuem estação de registro de meteoros também já postaram no grupo. Até uma estação em Bauru (SP) chegou a registrar, porém, bem próximo ao horizonte. Pelo brilho e pelo barulho, alguns colegas já trabalham com a hipótese que algum fragmento tenha chegado ao solo”, falou Dumont.

Em maio de 2020, um brilho foi visto no céu próximo à cidade de Tiros (MG). Em agosto de 2020, um fenômeno considerado como surto de meteoros foi registrado pelo Observatório. Nenhuma das quedas gerou acidentes graves. “Esse tipo de queda é comum, cai muito material na Terra, mas cai muito nos oceanos, em regiões que não são habitadas”, explica Diana Andrade, professora do Observatório do Valongo, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), e caçadora de meteoritos. “Nem sempre gera fragmentos que chegam ao chão, às vezes eles se desintregam no ar, mas esse tem chance de ter gerado alguns”, afirma.

“Com a observação das primeiras imagens, vimos que tem as características da entrada de um meteoro com epicentro na região do triângulo mineiro e Alto Paranaíba”, diz Gilberto Dumont. “Trata-se de um meteoro devido às características do fenômeno luminoso apresentada nos vídeos, mas não sabemos o local de queda ainda”, completa. A equipe do Observatório e da Bramon (Rede Brasileira de Observação de Meteoros), a partir das imagens, poderá calcular a região de queda para buscar os meteoritos em solo.

Na linguagem popular, ouvimos muito que “um meteoro caiu”, mas não é bem assim que a ciência classifica o fenômeno que foi visto em Minas na noite de ontem. O meteoro, explica Andrade, é o efeito luminoso. Ou seja, são as populares estrelas cadentes, pequenos pedaços de rochas e poeira espacial que queimam ao entrar na atmosfera da Terra em alta velocidade.

Agora, se a rocha sobreviver à entrada na atmosfera e não se desintegrar totalmente devido ao atrito e evaporar, ela é chamada de meteorito. “Se ela chegou no solo, é um meteorito”, afirma Andrade. “Capturar um meteoro é capturar a imagem de um rastro luminoso no céu, capturar um meteorito é capturar a rocha no chão.”

“As pessoas se preocupam se existe a possibilidade de uma pedra dessas cair na nossa casa, por exemplo, e causar um acidente. Existe essa possibilidade, mas a probabilidade é muito pequena”

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