Foto: Thais Magalhães/CBF

O massacre por 9 a 1 sobre o Vietnã, na última segunda-feira (14), foi o cartão de visitas de um Brasil que disputa a Copa do Mundo de futsal masculino, na Lituânia, com dois objetivos claros. O primeiro, deixar a decepção de 2016 (pior campanha da seleção na história, eliminada pelo Irã nas oitavas de final) para trás e retomar a coroa da modalidade, conquistada pela última vez em 2012. O segundo é o escrete buscar o oitavo título mundial, sendo o sexto desde que a Federação Internacional de Futebol (Fifa) assumiu a competição, em 1989.

“Esta foi a melhor preparação que já tivemos. Foram 30 dias de trabalho. Em 2016, foi muito complicado, uma crise política no futsal, muito difícil de trabalhar. Chegamos meio capengando, tendo que ser mais do que nunca um grupo. O que a gente leva é que a dor da derrota é muito maior que a alegria da vitória, ainda mais para o povo brasileiro, que ama o futebol e o futsal e conta com essa alegria. Quando a gente não entrega, a pancada é maior. É isso que tento passar ao pessoal, que temos condição de fazer uma história muito bonita na Lituânia”, declarou o fixo Rodrigo, capitão da seleção, à Agência Brasil.

O Capita, como é apelidado o camisa 14 brasileiro, é um dos mais experientes do grupo. Do atual elenco, ele e o goleiro Guitta estiveram no título de 2012, conquistado na Tailândia. Na ocasião, o Brasil derrotou a Espanha por 3 a 2, na prorrogação. O craque Falcão, que se aposentou das quadras em 2018, fez parte daquela seleção e brilhou na partida considerada a mais marcante da campanha.

“Foi uma conquista muito difícil. Tivemos um jogo contra a Argentina nas quartas de final, em que estávamos perdendo por 2 a 0. O Falcão entrou daquele jeito [com uma paralisia facial], todo travado, mas foi decisivo [marcando dois gols e decretando a virada por 3 a 2]. A [melhor] memória é essa, mais até que a da final, que também foi histórica. Lembro que, pouco antes do gol do Neto [o do 3 a 2 sobre a Espanha], eu perdi uma falta aberta [risos]. São momentos que marcam”, recordou o fixo.

Além de Rodrigo e Guitta, o ala Dyego e o pivô Dieguinho também têm rodagem em Copa do Mundo, integrando o elenco de 2016. Os outros 12 jogadores convocados pelo técnico Marquinhos Xavier disputam a competição pela primeira vez. O capitão brasileiro, porém, avalia que o grupo não é menos experiente por ter poucos remanescentes de outras edições.

“Temos uma seleção com muita bagagem e uma faixa etária [média de 30,9 anos] que faz com que os jogadores cheguem com uma experiência muito boa. São atletas com finais de Liga dos Campeões da Europa e de Liga Nacional de Futsal [LNF], competições importantes. Então, a gente está mais forte do que nunca, com uma preparação do nível que o Brasil merecia”, afirmou Rodrigo.

O Brasil integra o Grupo D da Copa do Mundo. Além do Vietnã, a seleção ainda terá pela frente República Tcheca e Panamá na primeira fase. Os tchecos são os próximos adversários, nesta quinta-feira (16), às 14h. No domingo (19), no mesmo horário, encara os panamenhos. Os dois primeiros colocados de cada chave avançam às oitavas de final, além dos quatro melhores terceiros.

“O Brasil sempre é favorito. Em todo esporte que disputa, entra pra ser campeão. Não é diferente no futsal. Há grandes equipes, como Argentina, Rússia, Portugal [atual campeão europeu] e Cazaquistão [que conta com três brasileiros naturalizados, o goleiro Higuita, o fixo Douglas Júnior e o ala/pivô Taynan]. Será um Mundial bem competitivo, mas estamos aqui para buscar esse título”, concluiu Dieguinho.

Os convocados

Goleiros: Guitta (Sporting, de Portugal), Djony (Magnus Sorocaba) e Willian (Joinville).

Alas: Leozinho, Leandro Lino (ambos Magnus Sorocaba), Dyego (Barcelona, da Espanha), Arthur (Benfica, de Portugal), Gadeia (Elpozo, da Espanha) e Bruno (Ukhta, da Rússia).

Fixos: Rodrigo (Magnus Sorocaba), Lé (Corinthians) e Marlon (Palma, da Espanha).

Pivôs: Rocha (Carlos Barbosa), Dieguinho (Joinville), Pito e Ferrão (ambos Barcelona, da Espanha).

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