antilulismo tem sido a desculpa dada para minimizar a culpa de quem, em 2018, elegeu um velho político fanfarrão, corrupto e canalha para a presidência do Brasil. Ficaria desumano demais aceitar a ideia de que o voto seria motivado pelas raízes históricas que nos levam a odiar os pobres (ainda que sejamos um deles), os negros, os homossexuais, as mulheres que se destacam em liderança e independência etc.

Dizia Paulo Freire, também vítima do ódio moderno, que “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”. Isso já explica tanto pobre (e aqui se inclui a classe média, graças ao Guedes) aderir à defesa de ideias neoliberais das mais perversas, implementadas por um capitalismo gângster que tomou conta do Brasil e de parte do mundo nas últimas décadas.

Tem pobre defendendo, por exemplo, o fim do acesso do pobre à educação universitária, o fim de políticas públicas de combate à fome, a facilitação para compra de armas de fogo e coisas do tipo. Vale dizer que se você é assalariado e torce pela promoção do supermercado, você é pobre. Se você é autônomo, ainda que tenha glamourizado essa condição denominando-se empreendedor, e se acha dono do seu horário de trabalho, mas quem condiciona isso é a quantidade de boletos para pagar, desculpe… você é pobre!

Se você não está de viagem marcada pra Dubai, como o João Dória, você não é rico. Se você não está correndo atrás do caminhão de lixo para garantir o jantar de hoje, você não é miserável ou sub-humano… Você só é pobre mesmo.

Buscando disfarçar essa condição, muitos adotam o discurso do poder dominante, repercutindo as ideias lançadas por Jair Bolsonaro nas redes sociais… Pasme! Alguns deixaram de se vacinar contra o covid-19 e vieram a óbito, tão somente para parecer pertencer à classe opressora.

Dentro disso se encaixa a onda antilulista.

Luiz Inácio Lula da Silva, o nordestino, operário, disputou e perdeu três eleições para a presidência da República, de 1989 a 2002. Durante mais de uma década, Lula perdeu as eleições porque não cedeu um milímetro para as condições impostas pelos opressores.

No entanto, em 2002, Lula já aparecia de barba aparada, terno bem cortado, com Duda Mendonça marqueteiro e ao seu lado, como candidato à vice-presidente, José Alencar, empresário bilionário do ramo têxtil. Tinha a bênção de grandes banqueiros e empreiteiros, assim sendo, ganhou a eleição.

Como bem escreveu o Gregório Duvivier, “gostava mais do Lula que perdia”. Lula eleito se parecia muito com os presidentes anteriores, que serviam aos interesses do mercado neoliberal; no entanto, trazia uma marca que o faria se diferenciar para sempre: o combate à fome e à desigualdade social.

Em recentíssimo estudo feito por economistas do Insper, ficou demonstrado que a disparidade na distribuição de recursos no Brasil caiu de forma ininterrupta de 2002 a 2015, ou seja, enquanto foram presidentes Lula e Dilma Rousseff. Porém, a desigualdade social voltou a subir em 2016, após o impeachment de Dilma.

O mercado neoliberal não odeia pobres, pelo contrário, quer que existam aos montes em nome de uma concentração de riqueza cada vez maior.

Por outro lado, acreditar que o antilulismo se baseia em sentimento anticorrupção, é infantilizar o discurso político. O primeiro passo para amenizar a corrupção sistêmica brasileira seria votar com mais critério para deputados federais e senadores, objetivando enfraquecer o tal “Centrão”, que é o câncer da República.

O antilulismo, por ser inescrupuloso, acaba fortalecendo o lulismo que, por sua vez, consolida Lula no topo das pesquisas eleitorais.

Coluna | Fala sério Advogado especialista em Direito Público, Licitações e Contratações Públicas; jornalista político, idealizador e apresentador do programa Fala Sério, veiculado pela Rádio Bandeirantes e pelas emissoras TV Thathi e TV Mais, em Ribeirão Preto/SP.

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