Ex-líder militar sérvio Ratko Mladic, condenado por genocídio

Apelidado de “açougueiro da Bósnia” ou “carniceiro dos Bálcãs”, o ex-líder militar sérvio Ratko Mladic (pronuncia-se Mladitch) teve mantida nesta terça (8) sua condenação à prisão perpétua por crimes de guerra e foi considerado culpado de genocídio. Agora não cabe mais apelação.

Ele havia recorrido ao tribunal das Nações Unidas para a antiga Iugoslávia em Haia depois da condenação pelo maior massacre em território europeu desde a Segunda Guerra Mundial: a morte de mais de 8.000 pessoas na cidade de Srebrenica, em julho de 1995. O massacre ocorreu durante a guerra civil da ex-Iugoslávia que, entre 1992 e 1995, deixou mais de 100 mil mortos e fez 2,2 milhões de refugiados.

O “açougueiro” foi condenado em 10 de 11 acusações. Limpeza étnica, terrorismo, tomada de reféns e ataques ilegais contra civis, especialmente croatas e muçulmanos. Os cinco juízes também atenderam o pedido da procuradoria da ONU de incluir genocídio entre os crimes.

Mladic comandava milícias sérvias que se opunham à independência da Bósnia e lutaram para anexá-la à Sérvia.  O general comandou, durante dez dias, que todos os homens de Srebrenica fossem levados a florestas da região e executados em valas comuns. Cerca de 1.200  vítimas não foram identificadas até os dias de hoje.

Depois do massacre, a Otan (aliança militar entre países europeus e norte-americanos) interviu, levando aos acordos de paz de Dayton. Depois de 16 anos foragido, Mladic foi preso pela Sérvia em 2011 e extraditado para o tribunal em Haia.

A sentença é o último ato do julgamento de um dos maiores crimes de guerra das últimas décadas. Além de Mladic, três líderes militares já haviam sido condenados —dois deles se suicidaram depois— e dois morreram antes de serem sentenciados.

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