Em sua primeira resposta militar ao atentado terrorista cometido pelo Estado Islâmico em Cabul, os Estados Unidos realizaram um ataque com drones contra o EI na província afegã de Nangahar na noite desta sexta-feira (27), já madrugada de sábado no horário local.

A ação ocorreu menos de 48 horas depois que um ataque suicida assumido pelo grupo matou 169 afegãos e 13 militares americanos no aeroporto de Cabul.

O Comando Central dos EUA disse que o ataque com drones em Nangahar foi lançado sobre um membro do Estado Islâmico-Khorasan (braço afegão do Estado Islâmico) que se acredita estar envolvido no planejamento de participar da organização de futuros atentados terrorista contra os EUA em Cabul.

Ainda não está claro se o indivíduo morto estava envolvido especificamente na explosão suicida de quinta-feira fora dos portões do aeroporto de Cabul, onde multidões de afegãos tentavam desesperadamente entrar, buscando deixar o país após a tomada de poder pelo Talibã.

O ataque aéreo se segue à promessa feita pelo presidente Joe Biden em pronunciamento após o atentado de quinta (26): “Vamos caçá-los até o fim e fazê-los pagar”. A ação foi autorizada por Biden e ordenada pelo secretário de Defesa, Lloyd Austin. Em coletiva o capitão Bill Urban, porta-voz do Comando Central, definiu a ação como de contraterrorismo:

“As indicações iniciais são de que matamos o alvo. Não temos conhecimento de vítimas civis”.

Pouco antes de os EUA confirmarem a ação, a embaixada em Cabul, capital afegã, voltou a orientar cidadãos americanos a evitarem o Aeroporto Internacional Hamid Karzai —alerta semelhante havia sido feito antes do ataque terrorista de quinta.

Estado Islâmico x Talibã

O Estado Islâmico-Khorasan , também conhecido por sua sigla em inglês, Isis-k, é o braço afegão do Estado Islâmico reivindicou alguns dos ataques mais violentos dos últimos anos no Afeganistão e no Paquistão. O grupo massacrou civis nos dois países em mesquitas, santuários, praças e até hospitais, além de ter executado ataques contra muçulmanos de alas que considera hereges – em particular os xiitas.

Embora o Estado Islamico e os Talibãs sejam militantes sunitas de linha dura, também são rivais e divergem em temas de religião e estratégia. As divergências provocaram confrontos sangrentos, dos quais os talibãs geralmente saíram vitoriosos desde 2019.

O porta-voz do Talibã, que tomou o controle do Afeganistão, afirmou que o grupo islâmico condena veementemente os ataques ao aeroporto.

“O Emirado Islâmico do Afeganistão está prestando muita atenção à segurança e proteção de seu povo, e os círculos malignos serão estritamente interrompidos”, escreveu no Twitter.

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