Centenas de pessoas se reuniram na noite desta sexta-feira (19) em diversas cidades americanas para protestar contra a absolvição de Kyle Rittenhouse, jovem branco de 18 anos que atirou em três homens e matou dois deles durante um ato antirracista em Kenosha, em agosto de 2020.

Foram registrados atos em Portland, Chicago, Nova York e Columbus, segundo o New York Times.

Os jurados acataram a tese dos advogados de Kyle Rittenhouse, com 17 anos à época do crime, de que ele havia atirado em 3 pessoas — 2 delas fatalmente — por legítima defesa.

Em Portland, no Oregon, o protesto foi considerado um motim pela polícia. Segundo as autoridades, os manifestantes quebraram janelas e danificaram portas. Em outras cidades, os atos foram pacíficos. Em Chicago, dezenas de pessoas se reuniram no centro da cidade e marcharam pelas ruas contra a decisão.

Em Nova York, manifestantes se aglomeraram do lado de fora da arena Barclays Center, no Brooklyn, juntando-se à multidão que chegava para assistir a um jogo de basquete. Por volta das 20h, cerca de 200 pessoas iniciaram uma marcha ao longo da Flatbush Avenue em direção à Manhattan Bridge.

O episódio com Kyle Rittenhouse aconteceu nas ruas de Kenosha, Wisconsin, em 25 de agosto de 2020. Era o terceiro dia de grandes protestos detonados depois que um policial branco baleou Jacob Blake, um morador negro da cidade, poucos meses depois que George Floyd havia sido assassinado por um oficial branco que ajoelhou em seu pescoço por mais de 9 minutos, em Minneapolis.

Embora as manifestações fossem pacíficas em sua maioria, episódios de saques e queima de veículos serviram de estopim para que parte dos moradores da região de Kenosha se organizassem em grupos privados — e ideologicamente conservadores — de vigilância de propriedades privadas durante os protestos.

Rittenhouse, que não era morador de Kenosha, partiu de Illinois para o Wisconsin munido de um fuzil semi-automático e um kit de primeiros socorros para participar desses atos.

Naquela noite, segundo testemunhas que depuseram ao longo dos 3 dias de julgamento, Rittenhouse teria sido ameaçado de morte por uma das vítimas, Joseph Rosenbaum, de 36 anos, que se manifestava em favor de justiça racial. 

Horas mais tarde, de acordo com imagens mostradas no tribunal, Rosenbaum teria perseguido o adolescente em um estacionamento. Ele estava desarmado e tinha recém-saído do hospital, onde recebera medicação psiquiátrica. 

Nesse momento, o adolescente atira e mata Rosenbaum. Ao tentar fugir da cena do crime, Rittenhouse atirou em mais dois homens: Anthony Huber, de 26 anos, que morreu, e Gaige Grosskreutz, que sobreviveu e contou que perseguiu Rittenhouse acreditando se tratar de um atirador em massa.

Os promotores do caso tentaram caracterizar Rittenhouse como um agitador em busca de violência e caos, por ter se deslocado de sua cidade até Kenosha e ido armado ao local do protesto.

Ao ouvir o veredicto nesta sexta, Rittenhouse caiu em prantos e foi carregado por seus defensores. A família de Blake acusou os jurados de racismo.

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