“O segredo da saúde mental e corporal está em não se lamentar pelo passado, não se preocupar com o futuro, nem se adiantar aos problemas, mas viver sabia e seriamente o presente”. (Buda)

Ansiedade? Depressão? Pânico? Mania de limpeza? Paranoia? Carência afetiva e sexual? Solidão? Automutilação? Vazio? Impotência? Um pouco mais da metade dos brasileiros entende que sua saúde emocional e mental piorou muito, desde o início da pandemia. Os psicólogos (psicanálise, cognitivo comportamental, gestalt, psicodrama, etc.) e os psiquiatras estão trabalhando a todo vapor… rivotril, diazepan, soníferos, antidepressivos, antipsicóticos. O consumo de álcool e drogas também aumentou, consideravelmente, pois em situações de sofrimento servem como anestésicos e alteram o estado aflitivo da consciência. Mas a ressaca é bio-psicossocial e moral.

Ficar trancado num espaço limitado, durante muito tempo, ou sozinho ou em média companhia, é um estímulo para o surgimento de neuroses e loucuras dos mais variados tipos. O período da quarentena pode ter desencadeado um estado permanente de ansiedade e depressão. Além do medo de contrair a doença, perda de entes queridos, e em muitos casos perdas de emprego e financeiras. Por isso é tão importante que se cuide da saúde mental, pois a ansiedade nos tira do eixo, do equilíbrio e as decisões podem ser não adequadas ou mesmo, precipitadas. Segundo Maria: “estou tendo crise de pânico e ansiedade. Passo o tempo todo comendo, fumando ou na janela”. Mas ela não está sozinha, segundo pesquisa do Instituto Ipsos, 41% dos brasileiros relataram apresentar sintomas como hiperfagia, ansiedade, insônia ou depressão.

A tristeza é uma emoção passageira e fugaz. Embora seja considerada desagradável e muitos tentem evitá-la, é uma reação aparentemente normal a diversas situações, como a morte de um ente querido, falhar em um projeto pessoal ou terminar um relacionamento. As pessoas conseguem refletir e pensar nas causas da tristeza e aprender lições que as tornam mais fortes para encarar a vida.  A depressão, por outro lado, não é passageira. Ela envolve as pessoas em situação de desespero, apatia e desesperança. Elas passam a ignorar seus sentimentos (bons e ruins), transferir feridas emocionais para terceiros, não ter energia para concluir atividades comuns do dia a dia e tentar preencher o vazio interior com atividades ou elementos pouco saudáveis. Alguns indivíduos podem requerer um tratamento multidisciplinar com medicamentos psiquiátricos para suavizar os sintomas depressivos e evitar a automutilação e ideação suicida. 

Neste momento de isolamento social, ocorre uma baixa de produção, também devido à queda da criatividade, como relatado por muitos, mas especialmente pelos artistas e pacientes.  É natural que o estresse, ansiedade e depressão afetem a inteligência, o senso estético e o fazer. Porém, é fundamental que reconheçamos a importância da arte e do fazer artístico para a preservação da saúde mental, e que possamos nos utilizar dela para enfrentar e elaborar os conflitos e doenças emocionais nesse momento. É necessário buscar conforto e elaboração emocional através da expressão artística. A arte terapia é uma alternativa terapêutica ainda pouco utilizada, mas que tem produzido excelentes resultados, legitimando a utilização da arte e do processo criativo como estratégia terapêutica. Essa prática possibilita o refletir e elaborar os conflitos emocionais, sentimentos intoleráveis e experiências inconscientes, melhorando a saúde mental através da catarse, sublimação, empoderamento e resgate da identidade perdida.

“Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: Vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas ajuizadas.
É necessário se espantar, se indignar e se contagiar, só assim é possível mudar a realidade… (Nise da Silveira).

Coluna | "Sentidos da vida cotidiana no Mundão" Sérgio Kodato é professor doutor da USP e Coordenador do Observatório de Violência e Práticas Exemplares, da USP de Ribeirão Preto, além de autor do livro: “O Brasil Fugiu da Escola: motivação, criatividade e sentido para a vida escolar.”

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