Foto: Pam Santos/Divulgação

Depois de 25 governadores divulgarem o compromisso de reprimir motins e outros atos de indisciplina entre as polícias, a Associação dos Militares Estaduais do Brasil (Amebrasil) divulgou nota, nesta terça-feira (24), afirmando que “as polícias militares não podem ser empregadas de forma disfuncional por nenhum governador, pois são instituições de Estado e não de governo”. O comunicado afirma que, em caso de ruptura institucional, essas corporações atuarão como forças auxiliares do Exército.

Confira a nota:

Nos últimos dias, depois de Jair Bolsonaro radicalizar o discurso e inflamar os atos de apoio ao governo marcados para o 7 de Setembro nos ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal) governadores foram avisados por João Dória do risco de infiltração de bolsonaristas nas Políciais Militares.

Governadores de vários estados do país devem pedir uma reunião com a cúpula das Forças Armadas para falar sobre as manifestações. Os gestores pretendem diminuir as tensões e externar aos militares preocupações com o tom ameaçador que os organizadores dos atos têm usado contra as instituições e a democracia.

Na segunda-feira, o governador de São Paulo, João Doria, anunciou o afastamento do coronel Aleksander Lacerda, que era comandante da PM no interior do estado. Além de convocar manifestações, o oficial dirigiu ofensas ao próprio governador, ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e ao STF.

Os gestores estaduais pretendem que a reunião com a cúpula das Forças Armadas seja presencial e na próxima semana. A ideia surgiu ontem, um dia depois da reunião do Fórum Nacional dos Governadores. Durante o evento, 25 chefes de Executivos estaduais e do Distrito Federal decidiram pedir uma reunião com Bolsonaro e com os presidentes do Congresso e do STF.

Pesquisa

Um levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em parceria com a Decode Pulse, investigou a adesão dos policiais militares à agenda de Bolsonaro. Esse trabalho se concentrou nas manifestações de representantes das corporações em ambientes digitais.

A pesquisa mostrou que 41% dos perfis públicos de policiais militares aprovam as pautas do presidente, enquanto 25% adotam um discurso mais radicalizado. O estudo também apurou os posicionamentos pessoais em relação às instituições públicas, costumes sociais, distanciamento social na pandemia da covid-19, imprensa, direitos humanos, entre outros temas. O resultado mostrou que 12% dos PMs compartilham conteúdos contra as instituições, que incluem a defesa do fechamento do STF e da prisão dos ministros da Corte.

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