Bebê tem cabeça arrancada durante parto natural

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Uma família do interior do Pará afirma que um bebê teve a cabeça arrancada na hora do parto, na Santa Casa de Misericórdia, em Belém. O caso, que aconteceu na manhã de sexta-feira (16), foi registrado na delegacia de polícia que fica no próprio hospital. Familiares dizem que profissionais de saúde forçaram um parto normal, a mãe tinha sido transferida do município de Ourém para capital com a indicação de cesariana por conta de problemas de saúde do feto. O hospital afirma que houve complicações.

O bebê que teve a cabeça arrancada durante um parto realizado na Santa Casa de Belém, no Estado do Pará sofria de uma complicação obstétrica pouco comum chamada distócia de ombro. A informação foi divulgada em nota pelo hospital no começo da noite do sábado(17). O hospital, que lamentou o ocorrido, alega que todos os procedimentos previstos para casos como esse foram realizados.

“O feto possuía várias malformações, o que ocasionou uma complicação obstétrica pouco frequente chamada distocia de ombro, na qual a cabeça fetal se exterioriza e o corpo não. Todas as manobras previstas na literatura científica foram realizadas com o intuito de despender o ombro fetal e assim liberar o restante do corpo do bebê. Mas a equipe não obteve sucesso com a realização do procedimento”, disse a nota.

Segundo o marido, a mulher dele, de 26 anos, estava com oito meses de gravidez e chegou ao hospital por volta das 6h da manhã, transferida de ambulância do município de Ourém, no nordeste do Pará, onde o casal mora. “O médico de Ourém encaminhou para Belém, com um papel que dizia que o bebê só poderia nascer se ela fosse operada”, afirma o rapaz, de 25 anos. A jovem estava acompanhada de uma amiga, que teria presenciado toda a situação. Segundo o boletim de ocorrência, a jovem grávida esperou por mais de três horas até ser levada para a sala de parto. “Eles estavam esperando para ver se ela tinha passagem, mesmo sem ela poder ter normal”, diz o marido.

A amiga relatou à família e à polícia que acompanhou a jovem grávida até a sala de parto e que, por diversas vezes, avisou os profissionais que estavam atendendo que a paciente não poderia ter parto normal. Mesmo assim, os médicos continuaram pedindo para que ela fizesse força. “Eles não deram ouvidos e ficaram mandando ela (sic) fazer força. Fizeram tanta força que a cabeça veio na mão da enfermeira e depois caiu no chão. Só operaram depois, para tirar o resto do corpo”, lamenta o marido. Na ocorrência, a amiga diz ainda que a sala de parto estava lotada e que várias pessoas vestidas de “uniforme verde” assistiam tudo. A família afirma que, após o ocorrido, a jovem foi sedada para ser operada para a retirada do corpo da criança. À polícia, a amiga também afirmou que, por duas vezes, as enfermeiras ouviram o coração da criança, sendo uma na chegada ao hospital e outra na hora do parto. Mas, depois do ocorrido, um homem disse que o bebê já estava morto “na barriga” e que não sobreviveria por conta de uma má formação. Segundo o marido, a mulher está chocada e permanece internada, sem previsão de alta. Ela sabe que a criança morreu, mas não em que circunstâncias. “Achamos melhor não contar para ela ainda. Vamos deixar ela (sic) melhorar para contar”, diz ele. A mulher tem um filho de 9 anos, de outro relacionamento. Mas este seria o primeiro bebê com o atual marido.

No começo da tarde de ontem (18), o governador Helder Barbalho usou sua conta no twitter para prestar condolências à família e informar que havia acionado a Polícia Civil para investigar o caso, assim como dizer que havia determinado o afastamento imediato dos profissionais envolvidos no caso. “Pedi também a Polícia Civil do Pará que apure com rigor o ocorrido.” Em nota curta, a Polícia Civil disse apenas que “já instaurou um inquérito que corre em sigilo para investigar, junto com o Renato Chaves, as causas e os responsáveis, para eventuais punições sobre o caso”.

A Fundação Santa Casa também garantiu que uma investigação interna foi instaurada para apurar as condutas técnicas adotadas durante o parto e investigar se houve erro da equipe envolvida no parto do bebê, “dentro do processo de avaliação de riscos e de cumprimento dos protocolos de segurança do paciente estabelecidos pelo hospital”.

O hospital confirmou que os profissionais – que não tiveram os nomes divulgados – foram afastados. “A Fundação Santa Casa do Pará lamenta profundamente a morte do bebê e se solidariza com seus familiares”, acrescenta a nota enviada pelo hospital.

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