Oito militares do Exército foram condenados, no início da madrugada desta quinta-feira (14), por matar o músico Evaldo Rosa e o catador de latinhas Luciano Macedo, fuzilados em uma ação do Exército em 7 de abril de 2019 em Guadalupe, na zona oeste do Rio de Janeiro.

Por 3 votos a 2, a Justiça Militar os julgou culpados por duplo homicídio e tentativa de homicídio – o sogro de Evaldo, Sérgio, ficou ferido e sobreviveu. A defesa informou que vai recorrer e os réus respondem em liberdade até que o caso transite em julgado – ou seja, que se esgotem os recursos.

Outros quatro militares que estavam na ação foram absolvidos. Todos os 12 foram absolvidos do crime de omissão de socorro.

O tenente Ítalo da Silva Nunes foi o único que recebeu uma pena maior, de 31 anos e seis meses, por ser o oficial responsável pelo grupo, por ter sido o primeiro a atirar sem se certificar de que a tropa sofria ameaça ou agressão e por ter feito o maior número de disparos. Todos aguardavam o processo em liberdade.

O julgamento na Justiça Militar, na Ilha do Governador, Zona Norte, durou mais de 15 horas: começou às 9h17 e terminou depois das 0h30.

O advogado dos militares afirmou que vai recorrer da decisão. 

Relembre o caso

Evaldo teve o carro fuzilado no dia 7 de abril daquele ano e morreu no local. No total, 257 tiros foram disparados – 62atingiram o veículo. Luciano tentou ajudar o músico e foi atingido. Ele morreu 11 dias depois, no hospital.

Militares dispararam ao menos 80 vezes contra o carro em que estava Evaldo e sua família em Guadalupe, segundo peritos da Delegacia de Homicídios. O sogro da vítima também foi baleado e precisou ser hospitalizado.

Cinco pessoas estavam no carro e iam para um chá de bebê. A esposa e o filho de 7 anos de Evaldo e uma mulher não se feriram. o catador de latinhas Luciano Macedo que passava no local ficou ferido e ao tentar ajudar e morreu 11 dias depois no hospital.

Militares atiraram por engano contra a família, segundo relatos de testemunhas e parantes. O Comando Militar do Leste (CML) primeiro negou ter atirado contra uma família e disse ter respondido a uma “injusta agressão” de “assaltantes”.

Uma amiga da família, que estava dentro do carro, contestou a versão do Exército e afirmou que os militares não fizeram nenhuma sinalização antes de abrir fogo contra o veículo. Sem querer se identificar, ela disse que Evaldo dirigia o carro.

Conhecido como Manduca, Evaldo era músico e segurança. 


DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui