O delegado da Polícia Civil Carlos Alberto da Cunha, 43, que ficou famoso nas redes sociais com um canal no Youtube com cerca de 3,6 milhões de inscritos.

Um inquérito policial foi instaurado em agosto deste ano para apurar se Da Cunha usou a estrutura da Polícia Civil, como armas, homens, viaturas e aeronave, para gravar vídeos de operações policiais exibidas em redes sociais.

O delegado manteve por cerca de um ano e seis meses uma estrutura particular para filmar operações e divulgar vídeos na internet que, conforme investigação da Corregedoria, teve custo mensal de até R$ 14 mil. O salário médio dele na polícia tem sido de R$ 10.470 líquidos.

Os membros da equipe de filmagem não pertencem às forças de segurança do estado, mas ainda assim alguns deles dirigiram viaturas, tomaram depoimentos em ocorrências, usaram roupas semelhantes à de policiais e ostentaram armas nas redes sociais. Além disso, usaram unidades policiais como estúdio para edição de vídeos do delegado.


O policial é suspeito de usar a estrutura da polícia para atrair “seguidores, visando prestígio pessoal e vantagem econômica em sobreposição aos interesses do Estado”. Também é suspeito de simular prisões para gravar vídeos.

Da Cunha foi indiciado pela Corregedoria da Polícia Civil no último dia 23 por suspeita de crime de peculato, quando um funcionário público desvia dinheiro ou bens em benefício próprio ou de terceiros, em razão do cargo que ocupa. A pena varia de 2 a 12 anos de prisão, além de multa.

A investigação teve início após a polícia receber denúncia anônima de um suposto ex-colaborador.

O delator encaminhou um documento com uma série de dicas de irregularidades a serem investigadas pela Corregedoria, além de fotos com a atuação de parte dessa equipe.

A maioria das imagens envolve dois funcionários de Da Cunha: Gabriel Yoshi Siqueira Correia, conhecido como Gafanhoto, e Cristiano Pereira Novaes, também chamado de Cabelo. 

Da Cunha disse que está tranquilo e que as acusações contra ele são absurdas. O delegado admitiu ter contratado o roteirista e cineasta James Jay Maas Salinas, 34, para divulgar o trabalho policial no canal dele no Youtube, mas afirmou que não monetizou os vídeos.

O delegado Da Cunha disse que começou a gravar operações policiais em 2013 para divulgar o trabalho da Polícia Civil e que no início pagava do bolso dele até R$ 5 mil para cinegrafista contratado.

Da Cunha admitiu ter contratado Salinas e que pagava uma ajuda de custo mensal de R$ 3 mil para ele. O delegado acrescentou que chegou a trabalhar com outro cinegrafista, conhecido como “Cabelo”. O policial civil ressaltou que sempre pagou os profissionais com o dinheiro dele.

Ele contou que jamais monetizou os vídeos das operações policiais em seu canal no Youtube e que se tivesse feito isso teria lucrado US$ 500 mil. O delegado disse ainda que em apenas três ocasiões monetizou vídeos em podcast, mas não de operações policiais, e ganhou R$ 200 mil.

Licenciado do cargo desde agosto deste ano, Da Cunha prometeu divulgar em vídeo, a defesa técnica dele, ponto a ponto. E também prometeu fazer uma retratação ao delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes.

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