Postagens do jogador de vôlei Maurício Souza feita em suas redes sociais com teor homofóbico resultou na rescisão do contrato do atleta com o Minas Tênis Clube e na perda de espaço na seleção brasileira nesta quarta-feira (27).

Há duas semanas é muita repercussão envolveram usuários de redes sociais, depois a torcida do time, a diretoria do clube, colegas de profissão, e, por fim, os patrocinadores da equipe.

A postagem que foi o estopim da polêmica, Maurício criticou a bissexualidade do novo Super-Homem, personagem da DC Comics que aparece em anúncio da editora das histórias em quadrinho beijando outro personagem masculino.

O perfil do jogador também traz outras publicações questionando movimentos sociais como o feminismo e conquistas de direitos relacionadas à comunidade LGBTQIA+. 

Torcida

A torcida organizada Independente Minas foi a primeira a se manifestar. Ela divulgou um comunicado oficial dizendo que passaria a ignorar o jogador em postagens nas redes e no apoio ao time em quadra.

Minas Tênis

Através de nota, o clube mineiro afirmou que respeita a opinião de cada atleta, mas que não aceita manifestações homofóbicas de jogadores que carregam a camisa do clube.

Atletas

Douglas Souza, assumidamente homossexual, usou suas redes sociais para criticar o jogador do Minas de forma indireta. Não foi a primeira vez que o jogador rebateu o companheiro nas redes. 

Nessa semana as jogadoras da seleção feminina como Sheila e Fabi, além de Carol Gattaz, agora ex-companheira de clube de Maurício, reforçaram o movimento contrário ao posicionamento de Mauricio.

“Homofobia é crime, não é opinião”, postaram, cobrando respeito.

Retratação

Para contornar a situação Maurício Souza publicou uma retratação em suas redes sociais, porém na própria retratação ele se defende dos ataques recebidos e confirma sua posição inicial sobre o tema, colocando a culpa na “lacração”.

Patrocinadores

Fiat e Gerdau, mantenedoras do vôlei no Minas Tênis Clube, divulgaram notas cobrando que a diretoria do time tomasse as “medidas cabíveis” e reforçando o posicionamento inclusivo e de respeito ao movimento LGBTQIA+. 

Com a pressão dos patrocinadores o time resolveu desligar Mauricio do quadro seu de atletas.

Seleção

O técnico da seleção, o gaúcho Renan dal Zotto lamentou a postura do jogador, com quem trabalhou nos últimos cinco anos entre seleção e clubes, e sugeriu que ele revisse suas ideias sobre diversidade e comunicou que o jogador não será mais convocado.

“O vôlei sempre foi inclusivo e ficamos chateados com isso. Espero que o Maurício repense na vida, em tudo que está fazendo, porque não tem cabimento. Repudiamos todo e qualquer tipo de preconceito” relatou o técnico.

Explosão de seguidores

O jogador viu suas redes sociais aumentarem significativamente para 1,2 milhões de perfis.

Numa postagem, ele agradeceu pelo apoio e pelo carinho dos internautas, e ironizou em novo ataque homofóbico ao falar “não precisei ficar sambando em cima de cama e nem desfilando na quadra para ganhar o respeito e a admiração de vocês”.

A mensagem faz menção ao também jogador de vôlei e ex-colega da seleção brasileira, Douglas Souza, assumidamente homossexual que viralizou na internet nas Olimpíadas de Tóquio.

Ministério público

Vinte parlamentares representantes das causas LGBTQUIA+ de todo o país protocolaram uma representação no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra o jogador. O grupo, que inclui vereadores, deputados e um senador de 13 estados brasileiros e sete partidos políticos.

Na representação ao MPMG, o grupo diz que “Maurício Souza tem usado suas redes sociais há muito tempo para disseminar comentários ofensivos à comunidade LGBTQIA+, direta ou indiretamente”.

O grupo também notificou oficialmente o Instagram, solicitando a remoção dos conteúdos preconceituosos da rede. Os parlamentares ainda pedem uma audiência para discutir o caso e as políticas de combate ao discurso de ódio adotadas pela empresa.

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