De blusa listrada, mãe de Arthur chora a morte do filho. Foto: Redes Sociais

A Polícia Civil vai instaurar inquérito por homicídio doloso, quando há intenção de matar, para apurar a morte de Arthur Antônio Batista Máximo, de três anos, em Jaboticabal-SP. A família afirma que houve negligência no atendimento à criança na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Não havia pediatra de plantão.

Arthur pode ter morrido depois de complicações após a picada de um escorpião. A mãe encontrou o animal na cama dele depois da morte do menino.

Exames devem esclarecer a causa da morte que não consta no atestado de óbito.

Atendimento

Mirieli Batista Máximo, mãe de Arthur, afirma que foi acordada na madrugada de quarta-feira (14) pelo filho, que sentia dores no ouvido e ânsia de vômito. Na UPA, ele ficou em observação e foi atendido por uma médica clínica orientada por telefone por uma especialista do Hospital Santa Isabel.

O quadro de saúde de Arthur piorou, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu antes de ser transferido para o hospital.

A mãe diz ter encontrado um escorpião na cama do filho depois da morte dele. Para a família, um especialista poderia ter salvado a vida dele.

Investigação

O pai de Arthur, Danilo Antônio Maximo, registrou um boletim de ocorrência na polícia civil.

A gerente da UPA, Erica Patrícia Trajano, informou que Arthur foi atendido por uma clínica geral e passou por exames.

A médica, então, pediu ajuda a uma pediatra do Hospital Santa Isabel, por existir uma parceria entre a Prefeitura de Jaboticabal e a unidade de saúde. A pediatra do hospital recomendou a transferência do paciente mas no Santa Isabel não havia vaga.

Ainda segundo a gerente, a médica da UPA deu entrada na documentação para a transferência, quando a pediatra entrou em contato e afirmou que havia surgido uma vaga no Hospital Santa Isabel.

Em torno das 14h40, a ambulância chegou à UPA e Arthur sofreu uma parada cardiorrespiratória. Ele foi estabilizado e, de acordo com a gerente, a pediatra do hospital foi chamada ao local mas não compareceu depois de alguns contatos.

Arthur morreu perto das 17h.

O delegado de plantão, Marcelo Mello Garcia de Lima, registrou o caso como homicídio doloso. “Mesmo após ser devidamente cientificada do gravíssimo estado de saúde de Arthur, a doutora não compareceu à UPA para prestar os devidos cuidados médico-pediátricos à vítima, circunstância que denota o dolo eventual da autora no tocante ao delito de homicídio”, consta no boletim.

Em nota, a Prefeitura de Jaboticabal informou que se solidariza com a família, que apura o caso e que o contrato com o Hospital Santa Isabel não prevê atendimento do médico plantonista presencial com a UPA.

A prefeitura disse também que segundo determinações do Conselho Regional de Medicina do Estado (Cremesp), o médico de plantão não pode estar disponível para atender presencialmente em outra unidade, este ato caracteriza abandono de plantão.

A responsabilidade por ter um pediatra na UPA é da gestora do local, a empresa terceirizada Aceni.

O Hospital Santa Isabel informou que a vaga para a internação de Arthur foi liberada, um familiar chegou a apresentar os documentos para a entrada, mas a UPA não fez a transferência. A equipe da UPA decidiu transferir Arthur para a UTI pediátrica de Ribeirão Preto.

O hospital também afirma que o contrato com a prefeitura prevê que os profissionais do hospital recebam os pacientes encaminhados pela UPA, mas os médicos não podem se ausentar do local do plantão, segundo a determinação do Cremesp.

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