Em um áudio gravado, o Padre Robson de Oliveira Pereira admitiu que desvios e documentos alterados são ilegais e que se cair nas mãos de “um delegado meio doido” que faria “perguntas demais” poderia ser preso. Segundo o religioso, as questões seriam “crime organizado”, e que ele seria o “chefe da quadrilha”.

A gravação, divulgada pelo Jornal da Record nesta quarta-feira (24), foi feita pelo próprio padre. O arquivo foi apreendido pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), e periciado com autorização da Justiça.

Um pedido de prisão preventiva por corrupção ativa contra Pereira e outras quatro pessoas foi apresentado pela Polícia Federal na quarta-feira passada (17) ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Na reunião gravada, o padre e a equipe jurídica buscavam formas de tentar mascarar a ilegalidade em contratos de compras realizadas em nome de terceiros pela Associação Filhos do Pai Eterno, presidida por Pereira, antes de ele ser afastado da instituição. As investigações foram feitas pelo MPGO na Operação Vendilhões, em agosto de 2020.

“Quer dizer, eu estou assumindo que eles eram seus representantes nos negócios e investimentos na área imobiliária”, afirma o advogado Klaus Marques. Uma outra advogada que não teve seu nome revelado completa: “e rádios”. Padre Robson afirma temeroso: “Isso não é bom”. A advogada responde: “De jeito nenhum. Isso é a pior coisa que o senhor pode fazer”. Alessandra, funcionária da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), entra na conversa e dispara: “Isso aqui é péssimo também. Investimentos na área imobiliária, tendo em vista tudo que, de fato, todo mundo sabe que eles fizeram, foi o quê? Um roubo, né?”.

Na época da gravação, o padre já era investigado por um suposto desvio de valores de doações de fiéis à Afipe, que deveriam ir para a construção do novo Santuário Basílica de Trindade. Pereira administrava um fundo de R$ 2 bilhões para esse fim.

No lugar de ir para o templo, no entanto, o dinheiro foi destinado a aplicações financeiras e compras de fazenda e imóveis de luxo. Mesmo com a investigação em curso, o STJ manteve trancados, em maio, o inquérito policial e a ação criminal contra o padre.

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