Um ambulante de 15 anos foi algemado pela Brigada Militar (BM) dentro de um shopping em Porto Alegre na última terça-feira (18).

Imagens do adolescente sendo imobilizado e algemado no Shopping Bourbon Wallig, na zona norte de Porto Alegre, ganhou repercussão na internet e fez a Brigada Militar abrir uma sindicância para apurar o caso, que  ocorreu no último dia 18. Confira o vídeo:

De acordo com a RBS TV, o adolescente vendia doces na praça de alimentação do Shopping Bourbon Wallig quando foi abordado pelo policial. Pessoas que testemunharam a ação fizeram o registro em vídeo (veja acima). Nas imagens, é possível ver o momento em que o adolescente é detido no chão pelo policial.

 “Eu estava vendendo bala, o que vocês estão fazendo? Parece que eu roubei vocês! O que estão fazendo!?” — questionou o jovem negro de 15 anos, enquanto tinha as mãos presas por um policial, no vídeo que circula nas redes sociais.

“Parece que eu roubei agora! Todo mundo vai falar que eu roubei. Aí, podem gravar por favor? Eu entrei no shopping vendendo bala, o que vocês estão fazendo? Parece que eu roubei vocês. Parece que eu roubei. Eu não roubei! Por que vocês estão fazendo isso comigo? Parece que eu roubei vocês. Eu estava só vendendo bala. Só estava sentado ali conversando!”, grita o adolescente.

Três seguranças e outro soldado da Brigada acompanhavam o momento da abordagem, registrado em imagens e áudio por testemunhas.

A subcomandante do 11º Batalhão de Polícia Militar, Michele Maria, disse que entende que a conduta do policial foi regular. Ela afirmou que o agente foi chamado para apoiar a segurança do shopping por uma reclamação de perturbação. Disse que o adolescente resistiu à abordagem e, devido ao porte físico dele, o policial precisou algemar. Por fim, garantiu que, assim que foi identificado, as algemas foram retiradas e ele foi liberado porque não foi identificado nenhum crime.

 A gravação foi publicada pelo perfil de uma vereadora de Porto Alegre na sua conta no Instagram. Tanto no vídeo quanto nos comentários, a ação da polícia é apontada como um ato de racismo.

“Gente algemar um menino que trabalha, que mundo é este? Parece que todo o mundo resolveu mostrar e escancarar o seu lado mais perverso. Gostaria de saber se fosse um branco, bem vestido e que nem trabalha, mas basta ser branco, fariam a mesma coisa? Estou ficando com medo de ir a qualquer lugar”, questionou uma seguidora.

A vereadora Bruna Rodrigues (PCdoB) criticou a ação e disse que foi um ato de racismo. Bruna argumenta que uma súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) diz que o uso de algemas em menores de idade “só é lícito em caso de resistência” ou “receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia”.

A vereadora suplente de Bruna Rodrigues e presidente da União da Juventude Socialista de POA, Fabíola Loguercio, afirma que o menor estava sentado no momento da abordagem, e que a ação foi truculenta. Michele detalha que o grupo de vendedores de balas se dispersou quando os policiais, chamados pela segurança, chegaram ao local – o adolescente que acabou algemado estaria vendendo doces na praça de alimentação, conforme informou a assessoria do Grupo Zaffari, responsável pelo Shopping.

A subcomandante do 11º Batalhão de Polícia Militar, Michele Maria, disse que entende que a conduta do policial foi regular. Ela afirmou que o agente foi chamado para apoiar a segurança do shopping por uma reclamação de perturbação. ” A algema foi necessária por conta do porte físico e agitação dele no ato da resistência. Quando ele se identificou e viram que ele era menor de idade, a algema foi retirada e os ânimos se apaziguaram. Analisando toda a ocorrência, não se percebe irregularidade. O vídeo, que mostra apenas a algemação, causou repercussão. A sindicância vem para revisar e corroborar a ação da Brigada ou questionar eventuais irregularidades” argumenta a Major Michele Maria.

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