O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e o presidente da República, Jair Bolsonaro, em inauguração da Usina Fotovoltaica Coremas III e Ato de divulgação do Programa de Eficiência Energética.

Num cenário de grave crise hídrica, que esvaziou parte dos reservatórios do País, o desperdício de água segue como um dos maiores problemas a serem combatidos no setor de saneamento básico. Quase 40% de toda água captada, tratada e distribuída no País é perdida. Ou seja, esse porcentual se transforma em prejuízo para a concessionária – um sintoma da ineficiência da gestão operacional dos sistemas de abastecimento de água.

O Brasil enfrenta sua pior crise hídrica dos últimos 91 anos, o que potencialmente trará impactos negativos sobre toda a economia, incluindo a inflação e a tentativa de retomada da atividade, além do risco de blecautes ou racionamento.

“Vamos entrar no período chuvoso com índices muito baixos [dos reservatórios] e vamos ter a La Niña com perspectiva baixa de chuvas. Já vemos o governo tentando restringir o consumo de energia e isso, na pratica fez a gente ficar mais pessimista com o PIB do Brasil. Há grandes chances de termos PIB de zero ou menos que zero com crise hídrica. Por isso, saímos totalmente de nomes ligados ao PIB doméstico”, disse Paolo Di Sora, gestor e sócio da RPS Capital em painel da 11ª edição do evento Expert XP.

Além de ter o potencial de prejudicar o abastecimento de água e dos reservatórios de hidrelétricas, o fenômeno climático La Niña, que começa na primavera, ameaça a safra de grãos no Brasil, o que dá uma ideia do quanto a economia como um todo pode ser afetada negativamente, em um efeito dominó.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), órgão presidido pelo Ministério de Minas e Energia, afirmou nesta terça-feira (24) que há uma “relevante piora” das condições hídricas no país.

Segundo o comitê, é imprescindível manter todas as medidas em andamento e adotar novas providências para manter os reservatórios das hidrelétricas.

O objetivo do ministério é evitar que o país passe por apagões e tenha que recorrer ao racionamento compulsório de energia.

O ONS já admitiu, em nota técnica, dificuldades para atender a demanda de energia do país em outubro e, principalmente, novembro.

O Ministério de Minas e Energia admitiu, nesta quarta-feira, 25, que o cenário da crise hídrica está pior do que o esperado. Mesmo assim, em coletiva de imprensa, o ministro Bento Albuquerque voltou a afirmar que não haverá racionamento de energia elétrica no país. “Vou repetir com total tranquilidade que não trabalhamos com hipótese de racionamento. Isso tem que ficar muito claro”, afirmou o ministro.

O alerta do ministro foi contido em relação ao tamanho do problema, entre os técnicos, a recomendação era outra: a necessidade de maior assertividade e transparência.

Com geração de energia reduzida nas hidroelétricas, nesta quarta, 25, o presidente Jair Bolsonaro publicou um decreto com regras para economia de energia na administração pública como limitar a temperatura dos ares-condicionados a 24°C graus. 

O Palácio do Planalto tem feito o contrário ao dar ordens para segurar a comunicação da crise para a população, seguindo o modus operandi no enfrentamento da pandemia da covid-19: o negacionismo do tamanho da encrenca. O governo atravanca a transparência necessária em um momento tão delicado para a economia, que combina alta de preços e risco de crise energética.

Camuflar a gravidade pode custar caro no enfrentamento da crise que se agrava a passos largos, justamente no pior momento de alta dos preços. Os juros mais altos puxados pelo Banco Central já vão esfriar o processo de retomada do crescimento da economia brasileira. A crise hídrica piora esse futuro, porque tem um impacto grande sobre a capacidade de expansão do Produto Interno Bruto (PIB).

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