Manifestação por voto impresso em Belo Horizonte - MG

A base do presidente Jair Bolsonaro volta às ruas neste domingo, 1º, em atos em Brasília e pelo menos 20 capitais do País em defesa do voto impresso nas eleições de 2022. O presidente não compareceu fisicamente às manifestações, mas falou com apoiadores por telefone, em mensagens transmitidas pelo sistema de som. Bolsonaro disse pela manhã aos manifestantes concentrados em frente ao prédio do Congresso, em Brasília:

“Vocês estão aí, além de clamar pela garantia da nossa liberdade, buscando uma maneira que tenhamos uma eleições limpas e democráticas no ano que vem. Sem eleições limpas e democráticas, não haverá eleição”

Em suas redes sociais, Bolsonaro divulgou um vídeo de uma das falas, transmitidas nos atos em BrasíliaSão PauloRio de Janeiro e Belo Horizonte. “Nós mais que exigimos, podem ter certeza, juntos porque vocês são de fato meu Exército —o nosso Exército— que a vontade popular seja expressada na contagem pública dos votos”, afirmou na videochamada.

Mensagem divulgada pelo presidente Jair Bolsonaro em sua conta no Twitter

Em outro trecho, o presidente declarou que ele e seus seguidores não vão “esperar acontecer para tomar providências”. “Juntos nós faremos o que tiver que ser necessário para que, repito, haja contagem pública dos votos e tenhamos eleições democráticas no ano que vem.”

Em Copacabana, apoiadores do presidente atacaram o sistema eleitoral e o STF. Manifestantes inflaram um “pixuleco” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vestido de presidiário e colaram nele uma imagem de Barroso.

Na Avenida Paulista, em São Paulo, centenas de pessoas se concentraram próximas à sede da Fiesp. Entre os manifestantes, palavras de ordem contra o STF, contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

As manifestações deste domingo também são uma resposta à sequência de protestos organizados por partidos e centrais sindicais em oposição a Bolsonaro e pelo impeachment do chefe do Executivo; a última mobilização ocorreu na semana passada. Do lado favorável ao presidente, os atos têm sido as motociatas, passeios com motociclistas liderados pelo presidente da República.

A ideia do voto impresso é uma bandeira do bolsonarismo que está materializada na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 135/2019, de autoria da deputada Bia Kicis (PSL-DF). A proposta está em comissão especial da Câmara, que retomará os trabalhos na próxima semana, após o recesso parlamentar.

Bolsonaro ignorou apelos de líderes e dirigentes de partidos do centrão, que pediram moderação após a live da última quinta-feira (29) na qual o presidente fez o maior ataque até então ao sistema eleitoral e às urnas eletrônicas.

Bolsonaro subiu o tom em defesa do tema e chegou  a atacar o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, chamando-o de “imbecil” e de “idiota”. Bolsonaro já chegou a admitir que não tem provas das supostas fraudes e que a proposta não tem apoio para aprovação no congresso.

O próprio presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), disse que o voto impresso não tem apoio para chegar ao plenário da Casa. A afirmação foi feita um dia depois de o presidente Bolsonaro defender, em transmissão ao vivo pelas redes sociais, mudança no sistema de urna eletrônica, apesar de ter admitido não ter provas de fraude nas eleições, como vinha dizendo desde março do ano passado.

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