Brasil é vítima de campanha de desinformação, diz Bolsonaro na ONU

0

Em discurso na 75ª Assembleia-Geral da ONU, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil é vítima de “uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal”, mas mantém  “política de tolerância zero para crimes ambientais”. O pronunciamento do presidente brasileiro foi gravado na semana passada e transmitido virtualmente nesta terça-feira, 22.

 A comunidade internacional estava ansiosa por algumas justificativas de Bolsonaro com relação à crise da gestão da pandemia do novo coronavírus, já que o Brasil é o segundo país com o maior número de mortes por covid-19, e também sobre as queimadas que atingem a Amazônia e o pantanal.

Meio Ambiente

O presidente ainda afirmou que as queimadas na Floresta Amazônica e no Pantanal são causadas pelas altas temperaturas e acúmulo de massa orgânica em decomposição na região. “Os focos criminosos são combatidos com rigor e mantenho uma politica de tolerância zero do crime ambiental”, disse.

Apesar do dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Ambientais) que mostram sobre a aceleração das queimadas no Norte e Centro-Oeste do Brasil. O presidente disse que há interesses da comunidade internacional sobre a Amazônia brasileira.

“Somos vítimas de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal. A Amazônia brasileira é riquíssima, e isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos, que se unem a associações brasileiras aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil”, disse.

O Brasil é alvo de críticas internacionais pela condução de sua política ambiental. Nesta terça, o vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, deixou claro que a União Europeia espera um “compromisso” do Mercosul de que o bloco irá respeitar a seção de “desenvolvimento sustentável” do acordo comercial negociado em 2019, e ainda não ratificado. 

Bolsonaro também responsabilizou os próprios índios pelas queimadas que tomam a região, e disse que o Brasil age no combate aos crimes ambientais. “Nossa floresta é úmida, e não permite a propagação do fogo em seu interior. Os incêndios acontecem praticamente nos mesmos lugares, no entorno leste da floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus ossados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas. Os focos criminosos são combatidos com rigor, em determinação. Mantenho minha política de tolerância zero com crime ambiental.”, afirmou.

Agronegócio

O presidente Jair Bolsonaro destacou que apesar da crise mundial, a produção rural no Brasil não parou. “O homem do campo trabalhou como nunca, produziu, como sempre, alimentos para mais de 1 bilhão de pessoas. O Brasil contribuiu para que o mundo continuasse alimentado”, disse. Ele citou que caminhoneiros, marítimos, portuários e aeroviários mantiveram ativo todo o fluxo logístico para a distribuição interna de produtos e alimentos e também para a exportação.

“Nosso agronegócio continua pujante e, acima de tudo, possuindo e respeitando a melhor legislação ambiental do planeta. Mesmo assim, somos vítimas de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal”, disse ele.

Coronavírus

Sobre a crise do novo coronavírus, que já matou mais de 137 mil brasileiros, Bolsonaro se eximiu das responsabilidades e passou para os governadores. 

“Desde o princípio, alertei, em meu país, que tínhamos dois problemas para resolver: o vírus e o desemprego, e que ambos deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade”, afirmou.

“Por decisão judicial, todas as medidas de isolamento e restrições de liberdade foram delegadas a cada um dos 27 governadores das unidades da Federação”, destacou.

“Não faltaram, nos hospitais, os meios para atender aos pacientes da Covid”, afirmou o presidente, apesar das inúmeras denúncias de falta de materiais e leitos para atender os brasileiros infectados.

Bolsonaro afirmou que a pandemia do novo coronavírus deixou a lição de que uma nação não pode ter dependência para a produção de insumos e meios essenciais para a sobrevivência.

“Somente o insumo da produção de hidroxicloroquina sofreu um reajuste de 500% no início da pandemia. Nesta linha, o Brasil está aberto para o desenvolvimento de tecnologia de ponta e inovação, a exemplo da indústria 4.0, da inteligência artificial, nanotecnologia e da tecnologia 5G, com quaisquer parceiros que respeitem nossa soberania, prezem pela liberdade e pela proteção de dados”, frisou.

Bolsonaro falou ainda que “parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população”. “Sob o lema ‘fique em casa’ e ‘a economia a gente vê depois’, quase trouxeram o caos social ao país”, declarou ele.

Finalmente

Bolsonaro ainda fez questão de ressaltar que o Brasil é um modelo das garantias dos direitos humanos. “Não é só no campo da preservação ambiental que o país se destaca. No campo humanitário e dos direitos humanos o Brasil vem sendo referência internacional pelo compromisso e apoio prestados aos refugiados venezuelanos”, disse.

Ao encerrar seu discurso, Bolsonaro fez um apelo ao que chamou de “cristofobia”: “A liberdade é o bem maior da humanidade. Faço um apelo à toda comunidade internacional: pela liberdade religiosa e pelo combate à cristofobia. O Brasil é um país cristão e conservador, e tem na família a sua base. Deus abençoe a todos”, concluiu o presidente.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui