A Câmara dos Deputados cassou nesta quarta-feira (11), por quebra de decoro parlamentar, o mandato da deputada federal Flordelis (PSD-RJ), acusada de ser a mandante do assassinato de seu ex-marido, o pastor Anderson do Carmo.

Foram 437 votos a favor da cassação e 7 contrários, com 12 abstenções, em votação aberta —eram necessários ao menos 257 votos favoráveis para a cassação ser aprovada.

Com a decisão, Flordelis ficará inelegível por oito anos a partir do fim desta legislatura, em 31 de janeiro de 2023.

Antes da votação, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), chegou a dar preferência a um projeto de resolução em vez de votar o relatório do deputado Alexandre Leite (DEM-SP) no Conselho de Ética que recomendou a cassação do mandato da parlamentar.

Se votassem o parecer de Leite, só haveria a opção de cassar ou não o mandato da deputada. Com a preferência ao projeto de resolução dada por Lira, os parlamentares puderam apresentar emendas para propor penalidades mais brandas à deputada. O resultado final, porém, foi pela cassação. A decisão de Lira de mudar a forma de votação de processos de cassação tende a beneficiar os parlamentares acusados.

Durante a sessão, o presidente Arthur Lira (PP-AL) informou sobre a possibilidade de discussão de um projeto de resolução que previa uma pena mais branda para Flordelis – suspensão de seis meses, e não a cassação. Para que o texto fosse votado, era necessário que alguma emenda fosse apresentada. No entanto, nenhum parlamentar protocolou nenhuma emenda.

processo contra Flordelis foi aberto no Conselho de Ética da Câmara em 23 de fevereiro, após a acusação contra a parlamentar. Em 8 de junho, o grupo decidiu pela cassação do mandato – o relatório aponta que ela teria violado o código ao abusar das prerrogativas para ocultar provas e coagir testemunhas. Na ocasião, foram 16 votos a 1 – o único deputado que votou a favor da deputada foi Márcio Labre (PSL-RJ).

Em pronunciamento no plenário, Flordelis negou a acusação, afirmou ser inocente, que será absolvida no júri popular e que “não deve pagar pelos erros de ninguém”. A deputada pediu que lhe dessem o direito de defesa, além de que fosse julgada pelos brasileiros que votaram nela em 2018. “Permita que eu seja julgada pelo povo e retirada daqui pelo mesmo povo”, disse.

Relator do caso no Conselho de Ética, o deputado federal Alexandre Leite (DEM-SP) afirmou que a parlamentar não apresentou provas concretas contra as acusações, que se limitou a dizer que era inocente e que provaria tal declaração.

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