Na última quinta-feira, em debate promovido pelo jornal “Estadão”, participaram o longevo presidenciável Ciro Gomes (PDT), o governador gaúcho Eduardo Leite (PSDB) e o deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM). Começaram com discursos em defesa da democracia e depois falaram sobre eficiência dos serviços públicos e do Estado.

Os três são candidatos à presidência do Brasil nas eleições de 2022, autoproclamados como Terceira Via… Então, vamos falar dessa bobagem.

Neste momento vivido pelo país, onde se afrontam as instituições democráticas em plena luz do dia, é necessária uma dose de frieza para analisar o cenário político eleitoral que nos espera em 2022.

Primeiramente, é preciso reconhecer que as eleições de 2018 foram tramadas numa zona que não era eleitoral. Havia um juiz federal que coordenava um bando de procuradores, com a única finalidade de eliminar do processo eleitoral o candidato que apresentava melhor colocação nas pesquisas, Luís Inácio Lula da Silva (PT).

E assim fizeram! Tiraram Lula da disputa e pavimentaram o caminho do poder para um movimento que havia nascido em 2015, quando do impeachment de Dilma Rousseff (PT), com pautas perigosas que já flertavam com a desestabilização do Estado Democrático de Direito, disseminando discursos de ódio e forte apelo reacionário, nacionalista e sectário.

Tudo correu como esperado: foi eleito o candidato mais alinhado com o discurso neofascista. O juiz federal virou ministro da justiça do presidente que ajudou a eleger.

O processo judicial kafkiano, determinante para o resultado da eleição de 2018, foi anulado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal e Lula retorna como candidato à presidência em 2022.

A Primeira Via, que é o status quo, agora vai encontrar a Segunda Via e, desta vez, sem juiz federal para interferir no resultado.

Mas, agora, surge o devaneio da Terceira Via para esfumaçar a percepção da verdade, de que a eleição de 2022 será o processo eleitoral de 2018 passado a limpo.

Os próprios nomes que representam a Terceira Via têm participação e responsabilidade no resultado eleitoral de 2018, ainda que agora busquem negar em flagrante desfaçatez eleitoreira.

O governador gaúcho, Eduardo Leite (PSDB), surfou na onda neofascista do bolsonarismo para angariar votos na disputa do 2° turno em sua eleição ao governo do estado.

O deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM), além de aliado desde o golpe de 2015, chegou a ser nomeado Ministro da Saúde do atual governo e, percebendo a gigantesca mortandade que viria pela pandemia do corona vírus, usou o que lhe restava de vergonha e pediu demissão.

Quanto a Ciro Gomes (PDT), acostumado ao 3° lugar nas eleições presidenciais desde 1998, covarde e convenientemente “fugiu” para Paris e não tomou parte do embate do 2° turno das eleições de 2018. Porém, basta uma rápida pesquisa para verificar a proximidade de Ciro com os ideais bolsonaristas, desde apoiar o retrocesso do voto impresso até elogiar a espalhadora de fake news e bolsomínion,jornalista Leda Nagle, elegendo-a como uma das maiores jornalistas brasileiras.

Buscar uma Terceira Via nada mais é do que fortalecer a Primeira, ou seja, a que está no poder. Especialmente quando se sabe que os travestidos de Terceira Via já estiveram alinhados com a Primeira Via, defender essa opção é inocência ou mau-caratismo.

Enfim, a Terceira Via não é caminho, mas sim encruzilhada!

Foto: Reprodução
Coluna | Fala sério Advogado especialista em Direito Público, Licitações e Contratações Públicas; jornalista político, idealizador e apresentador do programa Fala Sério, veiculado pela Rádio Bandeirantes e pelas emissoras TV Thathi e TV Mais, em Ribeirão Preto/SP.

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