Neste último final de semana, a notícia que tomou conta das redes sociais foi sobre o esforço do padre Júlio Lancellotti para poder alimentar os moradores de rua na região conhecida como Cracolândia, na capital paulista. Desde cerco policial, até postagens da deputada estadual Janaina Paschoal (PSL/SP), tentaram deter a ação social desenvolvida há anos pelo padre e seu grupo.

Notícias como essa provocam profundas reflexões que, rapidamente, exigem tomadas de posição. O correto, o justo, é estar ao lado do padre ou da deputada?

A prudência indica que é preciso saber quem é quem nessa história.

Padre Júlio Lancellotti é pedagogo e muito conhecido por sua teimosia em querer se parecer com Jesus, o Cristo. Pároco da Igreja São Miguel Arcanjo no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo, recentemente nas noites mais frias do ano, que chegaram a temperaturas de quase zero grau, abriu as portas do templo para que moradores de rua pudessem se acomodar em colchões improvisados e tivessem a oportunidade de sobreviver àquelas noites.

Deputada Janaina Paschoal é advogada e professora universitária. Ficou conhecida depois que assinou o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, junto com Miguel Reale Jr. e Hélio Bicudo, em 2015, protagonizando cenas histéricas em um discurso acalorado em que girava sem parar a bandeira nacional em uma das mãos. Depois de girar loucamente a bandeira com a mão, em 2018 “abanou o rabo” para o projeto de desconstrução nacional de Jair Bolsonaro e, apoiada por ele, elegeu-se deputada estadual em São Paulo. Depois disso, nada mais há de registro a seu respeito; nem mesmo na Wikipédia, a enciclopédia livre.

Vendo o padre Júlio Lancellotti alimentar os moradores de rua que se aglomeram na região da Cracolândia, a deputada Janaina Paschoal sentenciou: “a distribuição de alimentos na Cracolândia só ajuda o crime”, ainda dizendo que “o padre e os voluntários ajudariam se convencessem seus assistidos a se tratarem e irem para os abrigos”.

Se os abrigos oferecidos pela prefeitura funcionassem de verdade, essas pessoas não regressariam para as ruas.

Recomendação típica de quem se guarda na alienação de luxuosos gabinetes mantidos com dinheiro público, a deputada Janaina Paschoal deve imaginar que combater o vício seja tão fácil quanto tirar Dilma do cargo de presidente, além de considerar que todos os moradores de rua são viciados em drogas. Será que a deputada conhece a realidade dos indigentes que perambulam pelas grandes cidades?

O olhar sobre o morador de rua, geralmente, carrega um pronto julgamento: “vagabundo”, “drogado”, “não quer trabalhar” e daí para pior.

Como o padre Júlio insiste em imitar o tal Jesus de Nazaré, em seu acolhimento não há outro sentimento senão o amor. Difícil compreender, quando não se é assim.

Nenhuma pessoa é uma ilha. Colocar-se no lugar do outro e saber que ambos estão conectados e fazem parte de algo maior e dependem da cooperação para existir, torna-se essencial para a sobrevivência de todos.

Aliás, a pandemia do covid-19 demonstrou bem essa realidade. Cuidar do outro é cuidar de si mesmo. A minha segurança depende do bem estar do outro.

Não é difícil escolher de que lado ficar…

Coluna | Fala sério Advogado especialista em Direito Público, Licitações e Contratações Públicas; jornalista político, idealizador e apresentador do programa Fala Sério, veiculado pela Rádio Bandeirantes e pelas emissoras TV Thathi e TV Mais, em Ribeirão Preto/SP.

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