No século XIX, os Irmãos Grimm ouviram de uma camponesa a história folclórica, ocorrida na Idade Média, sobre a cidade de Hamelin (Alemanha) infestada de ratos e salva por um Flautista que, ferido pela ingratidão dapopulação, a qual não lhe pagou a quantia combinada pelo serviço (de exterminar os ratos do lugar), hipnotizou todas as crianças da cidade com uma melodia, desaparecendo com elas para sempre. Daí nasceu mais um famoso conto dos Irmãos Grimm: O Flautista de Hamelin.

Curioso aqui é que o Flautista de Hamelin atraía seres de esgoto, como os ratos, ao mesmo tempo em que também conseguia cativar crianças ingênuas com o som de sua flauta.O destino, nos dois casos, era a morte!

Jair Bolsonaro não toca flauta. Porém, traz em seu repertório: ataques ao Estado Democrático de Direito, estímulo à desordem institucional, relativização da morte e apego à destruição de direitos sociais.

A melodia de Bolsonaro tem atraído os ratos que habitam o submundo da política há tempos, a milícia que controla o tráfico de drogas e as zonas sociais onde o Estado se faz ausente e os que adoram torturadores da ditadura militar. 

Mas essa melodia de Bolsonaro também tem atraído cidadãos incautos, “crianças políticas” que desprezam a História e, por isso, tendem a repeti-la.

Não se sabe, ainda, o que vai acontecer neste “7 de Setembro” no Brasil, nem mesmo os desdobramentos das bravatas presidenciais e de seus seguidores hipnotizados pelo ocultismo olavista.

Mas de algo se tem absoluta certeza: os milicianos chegaram ao poder no Brasil!

O pedagogo Henry A. Giroux, em artigo publicado na revista Carta Maior, diz que o capitalismo se degenerou em um empreendimento criminoso. Para ele, vivemos um ‘capitalismo gangster’ e isso explica porque grupos ligados a milicianos chegaram ao poder no Brasil. 

Mais que isso, explica também porque, após inúmeros crimes relacionados à pandemia e a informações falsas (fakenews), Bolsonaro ainda se mantém na cadeira de presidente da República.

A democracia é desprezada e desdenhada pelos vigaristas que se passam por políticos. Tudo isso é tolerado, inclusive, pelo sistema financeiro e por parte do setor produtivo, enquanto o lucro não cessa.

 O capitalismo neoliberal é uma máquina movida pela morte que infantiliza, explora e desvaloriza a vida humana e o próprio planeta.

O ataque reiterado às instituições democráticas, embora revestido de “defesa da liberdade de expressão”, nada mais é senão a aniquilação das últimas instâncias de resistência do Estado Democrático de Direito.

As ruas estão liberadas para os ratos e para as “crianças políticas”, pois há pouca resistência em razão da fuga do pensamento crítico. Estamos assistindo ao que ZygmuntBauman chamou de “tranquilização ética”, ou seja, um tipo de silêncio terrível e recusa de opinar em face da injustiça.

Hoje, tudo pode acontecer… Inclusive, nada!



Coluna | Fala sério Advogado especialista em Direito Público, Licitações e Contratações Públicas; jornalista político, idealizador e apresentador do programa Fala Sério, veiculado pela Rádio Bandeirantes e pelas emissoras TV Thathi e TV Mais, em Ribeirão Preto/SP.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui