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Na última semana, veio à tona investigação sobre as fraudes em atestados de óbitos emitidos por hospitais da rede Prevent Senior, onde pacientes internados foram medicados com o chamado “kit Covid”, comprovadamente sem eficácia na prevenção ou tratamento da doença, e vieram à óbito por covid-19. Para não comprometer a defesa e comercialização desses medicamentos sem eficácia, a Prevent Senior teria omitido a verdadeira causa mortis.

O médico pediatra e toxicologista Anthony Wong, defensor do tal tratamento precoce, tomou o “kit Covid” e morreu por complicações da doença em janeiro deste ano no hospital Sancta Maggiore, da rede Prevent Senior. Reportagem da TV Globo também confirmou que Regina Hang, mãe do empresário bolsonarista Luciano Hang, também morreu por coronavírus, mas o hospital não informou no atestado de óbito.

O Brasil acumula quase 600.000 mortes por covid-19, exatamente porque o governo federal preferiu defender a comercialização e uso do ineficaz “kit Covid”, desde o início da pandemia, em vez de se apressar para adquirir vacinas.

O próprio presidente da República, Jair Bolsonaro, assumiu pessoalmente a defesa dos medicamentos ineficazes, enquanto suscitava dúvidas sobre a eficácia da vacina. Quanto ao crescente número de mortes por covid-19 à época, Bolsonaro respondeu: “- E daí? Não sou coveiro…”

 Hoje, a CPI da Covid em andamento no Senado desnuda as razões. Esquemas de corrupção, que envolvem inclusive a família Bolsonaro, negacionismo anticientífico e apego à morte são alguns dos itens elencados nessas razões. Mas há muito mais do que isso…

Reitero o que foi dito no último artigo desta coluna: os milicianos chegaram ao poder no Brasil!

Estão tranquilos porque ainda atendem aos interesses de uma elite econômica neoliberal adepta ao “capitalismo gangster”, que banaliza a morte e a própria destruição do planeta.

Influenciada por extremistas de direita, como o atual Partido Republicano dos EUA e o partido neonazista Alternativa para a Alemanha (AfD), a elite econômica neoliberal brasileira tem aspirado os ventos ideológicos da substituição do ideal de democracia pelos ditames do nacionalismo autoritário, da supremacia branca e de uma política de exclusão – ingredientes de uma versão atualizada do fascismo.

Estar ciente disso é condição de defesa do Estado Democrático de Direito brasileiro!

No livro “A Nova Razão do Mundo. Ensaio sobre a sociedade neoliberal”, Pierre Dardot e Christian Laval advertem que o neoliberalismo não trata somente de políticas econômicas monetaristas ou de austeridade, nem só de mercantilização das relações sociais ou monopólios de mercados financeiros.

O neoliberalismo designa, principalmente, um tipo de racionalidade política que se tornou hegemonia mundial, que consiste em impor aos indivíduos, aos governos, às sociedades e ao próprio Estado uma lógica de conversão específica de formas de vida, subjetividades e normas de existência.

Aliás, um dos maiores defensores do ideário neoliberal, o austríaco F. Hayek, sempre deixou claro em suas obras que todo projeto econômico e político é sempre um projeto moral.

Se não tivermos consciência disso, a elite econômica neoliberal trará um nome para 2022 e o chamará de Terceira Via, para que possamos votar sem culpa, enquanto na verdade estaremos votando sem consciência.

Coluna | Fala sério Advogado especialista em Direito Público, Licitações e Contratações Públicas; jornalista político, idealizador e apresentador do programa Fala Sério, veiculado pela Rádio Bandeirantes e pelas emissoras TV Thathi e TV Mais, em Ribeirão Preto/SP.

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