Os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia levantaram a possibilidade de que o presidente Jair Bolsonaro teria alterado um relatório do Tribunal de Contas da União sobre supernotificação de mortes da Covid-19. Falas aconteceram após depoente de ontem (18), o servidor do TCU Alexandre Silva Marques, autor do documento, dizer que relatório foi falsificado e enviado ao presidente sem sua autorização. Marques disse também que não havia terminado o documento e que seus números eram “inconclusivos”.

Marques que é auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) foi responsável pela elaboração de um documento que apontava uma supernotificação de mortes por Covid no país e que foi divulgado por Bolsonaro. Marques defende que produziu um “rascunho”, que acabou sendo utilizado pelo presidente para contestar número de mortes.

O senador Randolfe Rodrigues apresentou um vídeo no qual, em uma live, Bolsonaro admite que errou ao falar que o documento era do TCU e afirma que ele mesmo preparou o material. “Me desculpa o TCU. A tabela foi feita por mim”, disse o presidente na ocasião.

Marques afirmou em depoimento ao TCU que o documento era um “rascunho” e que a versão divulgada pelo presidente da República estava adulterada. Segundo o servidor, o nome do Tribunal de Contas da União foi acrescentado ao documento, mas não houve modificação no texto.

Marques disse também que o documento foi enviado ao seu pai, o coronel Ricardo Marques, que compartilhou o arquivo com Bolsonaro. “O que o meu pai me falou foi que ele repassou o arquivo em Word para o presidente da República”, disse.

O pai de Marques é colega de Bolsonaro desde a época da Academia Militar das Agulhas Negras e trabalhou junto ao presidente no Exército. Segundo Alexandre, eles “mantêm contato”. O pai teria repassado o documento ao presidente, que apresentou o levantamento atribuindo-o oficialmente ao Tribunal e já com o cabeçalho incluso. 

O servidor disse que a suposta falsificação foi realizada após o compartilhamento do documento com o presidente. Alexandre Marques também alegou que ‘estudo paralelo’ que contestava número de mortos por Covid-19 era preliminar e foi descartado no TCU.

Ao ser questionado sobre os motivos que o levaram, em primeiro lugar, a realizar tal levantamento, o auditor afirmou que é papel do TCU avaliar a qualidade dos dados publicizados.

Ao longo do depoimento, outros senadores contestaram as alegações de que o auditor teria feito o estudo de maneira “independente”, sem influências políticas, e apontaram possíveis infrações cometidas por Jair Bolsonaro na divulgação adulterada de um documento sem lastro nos dados da Covid-19.

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) afirmou que Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade ao divulgar e supostamente alterar o documento.

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