A enfermeira obstetra Mayra Pires Lima de 38 anos, disse, nesta segunda-feira (18) à CPI da Covid destacando a situação de colapso enfrentada por seu Estado, o Amazonas, durante a pandemia.

Ela comparou a situação enfrentada pelos profissionais de saúde no atendimento a pacientes com um cenário de guerra. “Hoje, eu falo que vivi uma guerra, pois, muitas vezes, atendi pacientes sem proteção nenhuma”, disse.

A irmã de Mayra morreu por causa das complicações da Covid-19 em meados de janeiro do ano passado e deixou quatro crianças, entre elas um casal de gêmeos de 1 ano.

“Minha irmã morreu não por culpa de uma pessoa, mas por uma rede de culpabilidade que precisa realmente ser identificada e resolvida essa situação”, afirmou a enfermeira à CPI da Covid-19.

Segundo a enfermeira, durante todo o ano de 2020, os profissionais de saúde tiveram que arcar com seus equipamentos de proteção individual (EPI’s). Ela agradeceu aos amigos que em várias ocasiões arcaram com os EPI’s que ela usou. “Porque nós não tínhamos nem essas máscaras”, afirmou.

Em janeiro, Manaus viveu um colapso no sistema de saúde com falta de oxigênio. À época, o governo enviou à capital amazonense uma comitiva para difundir o tratamento precoce, com medicamentos sem eficácia comprovada para o tratamento da Covid-19.

Nessa época, a enfermeira contraiu a doença. Como consequência, outros membros da família também foram infectados, entre eles, a irmã, que morreu durante o colapso no fornecimento de cilindros de oxigênio em Manaus. A enfermeira perdeu também um irmão para a doença.

Lotada na maternidade Balbina Mestrinho, Mayra relatou falta de equipamentos de proteção individual (EPI) na unidade de saúde. “Situações que poderiam ter sido resolvidas com um pouco de bom senso e de responsabilidade dos gestores”, disse.

“Quando me formei há 15 anos, tinha o sonho de ajudar as grande calamidades, atender pacientes em situação de guerra, hoje falo que vivi uma guerra. Atendi pacientes sem proteção nenhuma, perdemos ótimos médicos obstetras, perdemos colegas para a depressão, para o suicídio. Peguei Covid duas vezes”, declarou.

Segundo a enfermeira, a maternidade registrou 82 óbitos de profissionais de saúde.


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