Uma discussão entre o presidenciável Ciro Gomes (PDT) e a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), nesta quarta-feira (13), ampliou a desavença entre petistas e ciristas, impondo um novo desafio para a formação de uma frente ampla pelo impeachment de Jair Bolsonaro (sem partido).

Após afirmar, em entrevista ao Estadão Notícias, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria participado de uma conspiração pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016, o presidenciável Ciro Gomes (PDT-CE) foi duramente criticado pela ex-presidente nas redes sociais. A petista disse que o político do Ceará “mente de maneira descarada” e insinuou que ele usa suas objeções ao Partido dos Trabalhadores como tática para ganhar popularidade.

O ex-governador do Ceará disse ainda que chegou a escrever, a pedido de Dilma, um documento com cerca de 15 páginas, e o entregou a um “camarada” do petista, que, por sua vez, “jogou fora e não aplicou nada”. Ciro salientou que não entendia as movimentações do partido durante as negociações para barrar o impeachment e lembrou que seu irmão, o senador Cid Gomes (PDT-CE), chegou a questionar se de fato aqueles que se diziam aliados de Dilma queriam impedir sua deposição do cargo.

O ex-governador do Ceará disse ainda que chegou a escrever, a pedido de Dilma, um documento com cerca de 15 páginas, e o entregou a um “camarada” do petista, que, por sua vez, “jogou fora e não aplicou nada”. Ciro salientou que não entendia as movimentações do partido durante as negociações para barrar o impeachment e lembrou que seu irmão, o senador Cid Gomes (PDT-CE), chegou a questionar se de fato aqueles que se diziam aliados de Dilma queriam impedir sua deposição do cargo.

Em resposta, Dilma endureceu o tom contra o presidenciável no Twitter e disse que sua declaração seria parte de uma estratégia para driblar a sua falta de voto nas urnas.

Enquanto articuladores do impeachment e mesmo membros do PT e do PDT minimizaram os efeitos do bate-boca na formação de uma frente ampla, o racha foi amplificado por apoiadores de cada um dos lados nas redes sociais.

Na última sexta (8), Lula já havia afirmado que não responderia a críticas feitas pelo ex-aliado. O ex-presidente não respondeu ao novo ataque, mas Dilma travou uma discussão com Ciro no Twitter. ​

Ciro respondeu no Twitter a publicação de Dilma e disse nunca ter mentido na vida. “Mas errei algumas vezes”, completou. “Uma delas quando lutei contra o impeachment de uma das pessoas mais incompetentes, inapetentes e presunçosas que já passaram pela presidência. Claro que estou falando de você, Dilma.”

“Para alívio de consciência, na época do impeachment eu não estava defendendo seu mandato em si mesmo, mas a integridade do cargo que você toscamente ocupava. Se hoje você prefere estar ao lado dos que a traíram, obrigado por me poupar da sua incômoda companhia”, atacou o pedetista.

“No fundo, vocês dois se merecem. Mas o Brasil merece pessoas melhores que vocês. Guarde suas ofensas e diatribes para quem possa ter medo de você”, arrematou Ciro.

Em seguida, Dilma retornou ao Twitter para rebater novamente o pedetista, classificando suas críticas como “profundamente misóginas”. A ex-presidente disse que Ciro usa os mesmos argumentos dos “golpistas”, distorce os fatos e se assemelha a Bolsonaro. “Ambos adoram quando os alvos de suas agressões reagem. Precisam disso para obter likes e espaço na mídia”, escreveu.

O pedetista tem adotado uma posição crítica à candidatura de Lula para as eleições presidenciais de 2022. Na última manifestação contrária ao governo Bolsonaro, realizada em 2 de outubro, Ciro Gomes foi xingado e vaiado por grupos associados ao PT.

No dia seguinte, Ciro chegou a propor uma “amplíssima trégua de Natal” com os petistas, mas, depois de uma semana, voltou a criticar o ex-presidente Lula em publicação no Twitter.

“O PT segue com o ‘Fora, Bolsonaro’ como palavra de ordem. E a frente ampla depende do diálogo entre os partidos, o que está em andamento”, disse. Questionado sobre a presença de Ciro em novas manifestações, Tatto afirmou que “não faz diferença, as pessoas ignoram ele, mas é bom que vá para mostrar unidade”.

Aliados de Ciro pregaram separação entre as falas do pedetista nesta quarta e a luta pelo impeachment.

“Cada coisa é uma coisa. No impeachment, temos que unificar todos contra Bolsonaro. Mas não vamos abrir mão de ter nosso candidato e o PT também não [abre mão]. Debate e divergência vamos ter sempre”, afirmou Carlos Lupi, presidente do PDT.



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