O PL informou em nota neste domingo (14) que a filiação do presidente Jair Bolsonaro ao partido, inicialmente anunciada para o dia 22, foi adiada, sem nova data definida. A nota diz ainda que a decisão foi tomada em comum acordo entre Bolsonaro e o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, após “intensa troca de mensagens na madrugada”. O conteúdo das mensagens, no entanto, evolui de opiniões para xingamentos.

Um dos motivos para o impasse sobre a ida de Bolsonaro ao PL gira em torno do comando dos diretórios estaduais. Em São Paulo, o presidente queria dar o cargo ao filho Eduardo Bolsonaro, deputado federal e atualmente no PSL. 

Bolsonaro, então, reagiu com fúria, mas não intimidou Valdemar, que rebateu: “Você pode ser presidente da República, mas quem manda no PL sou eu”, teria escrito Costa Neto a Bolsonaro. 

A conversa, então, evoluiu para discussão. De acordo com “O Antagonista”, Bolsonaro teria respondido ofendendo o presidente do partido, mandando-o para aquele lugar. Costa Neto, então, teria replicado a ofensa, dirigindo-a ao presidente da República. 

As mensagens foram trocadas na madrugada deste domingo, horas antes da oficialização do adiamento da filiação. O ingresso oficial de Bolsonaro nos quadros do PL estava agendado para o próximo dia 22. 

Eleito presidente pelo PSL em 2018, Bolsonaro deixou o partido em 2019 em meio a divergências com a cúpula da legenda. Na ocasião, chegou a articular a criação de uma nova sigla, a Aliança Pelo Brasil, que não passou da fase de coleta de assinaturas.

O PL é um dos principais partidos do grupo informal da Câmara conhecido como Centrão, com o qual Bolsonaro se aliou e de quem depende para aprovar projetos de interesse do governo e se sustentar politicamente.

Nesse grupo, Valdemar é um dos políticos historicamente mais influentes. Em 2012, Valdemar foi condenado no julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 7 anos e 10 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Ele foi preso em 2013 e em 2014 passou a cumprir prisão domiciliar. Dois anos depois, em 2016, o ministro do STF Luís Roberto Barroso concedeu perdão da pena e determinou a soltura. 

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