Foto: Rafael Cautella

A região de Ribeirão Preto é, de fato, um dos polos econômicos da nação, graças ao agronegócio da região e ao setor de serviços, forças motrizes do capital da cidade. Apesar da importância do município para os negócios do país, a cultura local segue em direção ao Brasil colonial.

Você viu aqui, no Centro de Notícias, a aprovação do projeto de lei do presidente da Câmara Municipal, Alessandro Maraca, obrigando a Prefeitura a publicar informações sobre as obras paralisadas na cidade. Motivo e período da paralisação, além do novo prazo para conclusão da obra, devem ser divulgados no site oficial da Administração. Mas, precisava mesmo de um projeto de lei para obrigar o Executivo a fazer o óbvio? Não deveria ser obrigação do governo prestar contas ao povo de como caminham os projetos que gerencia? A iniciativa do vereador é louvável, mas chega a ser cômica, para não dizer trágica, a necessidade de tal medida.

Se essa fosse a única situação em que a aristocracia ribeirão-pretana, a elite política da cidade, omitisse a prestação de contas aos seus verdadeiros empregadores, até que não seria tão grave. O problema é que a postura é sistemática e repetitiva. Na questão da vacinação, por exemplo, o óbvio seria que a Prefeitura informasse como andam os trabalhos: quem e quantos foram vacinados. Mas, não! Mesmo com um projeto de lei dos vereadores Gláucia Berenice e Lincoln Fernandes exigindo que a Administração divulgasse os dados, o Prefeito se recusou a publicar as informações, vetando a lei, até que motivos de força maior, como a Justiça, forcem-no a adotar a transparência nas informações do Covid-19.

Alguns órgãos de imprensa fecham os olhos e divulgam balanços do “Vacinômetro”, uma ferramenta digital desenvolvida pela Secretaria de Comunicação em parceria com a Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp). Só tem um problema nisso: os relatórios se referem a doses de vacinas ENTREGUES pelo governo Estadual, o que não significa, necessariamente, que essas doses já foram aplicadas pelas cidades que as receberam.

A situação se repete em relação à verba repassada ao consórcio PróUrbano, que administra o transporte público da cidade. A Prefeitura se propôs a repassar R$17 milhões ao consórcio, em um projeto de autoria do prefeito, já aprovado pela Câmara Municipal, mas sem justificativas claras da necessidade do subsídio. Foi necessária a entrada do Ministério Público no circuito, cobrando informações e garantias, e depois uma decisão judicial impondo que a Administração prove que a verba é necessária, para, quem sabe, nos próximos capítulos dessa novela, nós, reles plebeus, saibamos realmente se a quantia retirada dos cofres públicos tinha razão de ser.

Tudo isso reflete a cultura provinciana, colonial e coronelista de Ribeirão Preto. A elite política faz o que quer e quando quer, e a nós só resta assistir de camarote a incompetência, irresponsabilidade e falta de compromisso dos governantes. A desconexão entre os “líderes” e seus liderados é evidente, numa relação fria que se sustenta por um fio tênue, que só persiste pela irritante necessidade de votos.

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