Mourão diz que é hora de discutir mineração em terra indígena

Em entrevista ao jornalista Augusto Nunes, general Disse que Amazônia é alvo é que a preservação da floresta não é dos militares.

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O vice-presidente Hamilton Mourão em visita ao Acre, nesta quarta-feira (23), que o Brasil precisa parar de “tapar o sol com a peneira” e avançar na discussão de exploração de minérios em terras indígenas.

A declaração aconteceu no mesmo dia em que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, passou a boiada comandando a revogação de resoluções de proteção ambiental no Conselho Nacional do Meio Ambiente, Jair Bolsonaro deu aval para a mineração avançar sobre territórios indígenas.

A situação criada por Mourão acontece em um momento em que o país enfrenta forte pressão internacional por conta da alta no desmatamento e nas queimadas na região da Amazônia Legal.

Mourão acrescentou que a regulamentação das atividades minerais em terras indígenas iria contribuir para conter as ilegalidades e crimes ambientais, além de oferecer renda para os povos indígenas.

A exploração de atividades minerais em terras indígenas é defendida pelo presidente Jair Bolsonaro. O governo encaminhou em fevereiro para o Congresso um projeto de lei que prevê a regulação da atividade. Recentemente, ao se reunir com lideranças indígenas, Mourão disse que eles deveriam pressionar o parlamento pela aprovação.

Por outro lado, os garimpos em terras indígenas e unidades de conservação preocupa investidores internacionais, que já manifestaram desconforto, inclusive ao próprio Mourão.

Ibama e ICMBio sucateados

Em entrevista a radio JovemPan, Mourão reconheceu o sucateamento dos órgãos de fiscalização do desmatamento, como o Ibama e o ICMbio, ao criticar novamente o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia responsável pelo monitoramento das áreas desmatadas.

“O Inpe não está sucateado. Acho que estão muito mais sucateadas as agências de fiscalização, de combate direto às ilegalidades no campo, como o Ibama e o ICMBio [órgãos ligados ao Ministério do Meio Ambiente], que perderam aí praticamente a metade dos agentes. No Pará, tem 12, 13 agentes do Ibama em condições de fiscalizar. Qual tamanho do Pará? Dá três Alemanhas, com 12 pessoas para fiscalizar. É humanamente impossível”.

Impasse com o INPE

“O que eu chamo de dados qualificados? Se estão ocorrendo em áreas recentemente desmatadas, em terras indígenas, em terras de conservação ou em áreas regeneradas. São essas coisas que competem a um trabalho de inteligência, como é o do Cigma [Centro Integrado de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental] para o governador do Acre”, acrescentou.

Recorde de queimadas

As queimadas no bioma Amazônia aumentaram 196% em agosto de 2019, chegando a 30.901 focos ativos, contra 10.421 no mesmo mês ano passado, de acordo com dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), gerados com base em imagens de satélite. É o maior número observado para o mês desde 2010.

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