Diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde,Roberto Dias, durante a coletiva de imprensa e boletim diário, sobre à infecção pelo novo coronavírus no país. Foto:

O presidente da CPI da Covid, o senador Omar Aziz (PSD-AM) determinou no fim da tarde de hoje (7) a prisão do ex-diretor de logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias, exonerado do cargo no dia 29 de junho após denúncia de pedido de propina revelada pela Folha de S. Paulo.

‘’Ele que recorra na justiça, mas ele está preso e a sessão está encerrada,” disse Aziz.

Para o presidente da CPI, Roberto Dias mentiu em vários pontos do depoimento, o que justificou que a Polícia Legislativa executasse a prisão. “Ele vai ser recolhido agora pela polícia do Senado. Ele está mentindo desde a manhã, dei chance para ele o tempo todo. Pedi por favor, pedi várias vezes. E tem coisas que não dá para… os áudio que nós temos do Dominghetti são claros”, afirmou Aziz.

Senadores governistas pediram para que Omar Aziz reconsiderasse a decisão justificando abuso de autoridade. A senadora Soraya Thronick (PSL-MS) continuou seu interrogatório, mas a advogada de Dias aconselhou que ele parasse de responder por causa do pedido de prisão.

Alessandro Vieira (Cidadania-SE) disse que a decisão seria incoerente. “A gente não colocou um general que estava mentido na cadeia, a gente não colocou um [Fabio] [Wajngarten”, disse Vieira. Otto Alencar (PSD-BA) concordou e disse que Dias “não foi o primeiro que mentiu”. “Pazuello mentiu, Elcio mentiu, Wajngarten mentiu. Todo mundo mentiu”, disse ele.

Depoimento

O ex-diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, confirmou o jantar no dia 25 de fevereiro relatado pelo policial militar Luiz Paulo Dominghetti Pereira, mas negou ter cobrado propina de US$ 1 por dose para negociar vacinas. Segundo ele, o encontro foi apenas um jantar com um amigo, mas depois chamou o vendedor de vacina de “picareta”.

Ele disse aos senadores que não tratava da compra dos imunizantes, mas confirmou que conversou por mensagens de celular e por email com representantes da Davati Medical Supply.

Dias foi exonerado em 29 de junho, horas depois da denúncia da Folha de S. Paulo na entrevista em que Dominghetti revelou o suposto pedido de propina.

O ex-diretor negou ter feito pressão atípica para acelerar a compra da Covaxin e disse que não chegou ao ministério por indicação de Ricardo Barros, mas de outro parlamentar do Paraná.

Veja o momento da prisão:

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