Vermífugos e WhatsApp: estamos salvos!

Viva a república latrino-cloroquiniana tupiniquim!

0

O prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira (PSDB – SP), emitiu ontem, 23/7, comunicado oficial rechaçando qualquer possibilidade de adoção municipal de protocolos médicos similares aos de Porto Feliz ou Sertãozinho, ambos SP, nos quais os pacientes com sintomas similares aos iniciais do Covid-19 recebem da rede municipal um coquetel de medicamentos minimamente polêmicos, como a Cloroquina e a Ivermectina. Embora defendidos por inúmeros profissionais da saúde, tratam-se de medicamentos sem estudos conclusivos sobre sua eficácia, além de um volume substancial de opositores do meio, no combate ao Coronavírus.
Ribeirão Preto, ao contrário dos municípios supracitados, possuiu uma estrutura médica hospitalar de ponta, com o HC – USP na linha de frente de pesquisas, profissionais e tratamentos. Todavia, é um dos municípios na faixa vermelha do plano estadual de combate ao Coronavírus.

Confira na íntegra o comunicado de Duarte Nogueira:

NOTA DE ESCLARECIMENTO
Tendo em vista a grande repercussão na mídia em todo o país sobre a utilização da hidroxicloroquina na prevenção e tratamento precoce ao novo coronavírus (Covid-19), a Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto, em consenso com o Comitê Técnico de Enfrentamento à doença, não incluirá, neste momento, a sua utilização na rede pública de Ribeirão Preto para pacientes do SUS nas situações citadas, com base nos estudos científicos promovidos pelas instituições abaixo:Universidade de OxfordNenhuma terapêutica ainda foi comprovada como eficaz no tratamento de doenças leves causadas por SARS-CoV-2. Nosso objetivo foi determinar se o tratamento precoce com hidroxicloroquina (HCQ) seria mais eficaz do que nenhum tratamento para pacientes ambulatoriais com Covid-19 leve.
https://academic.oup.com/cid/article/doi/10.1093/cid/ciaa1009/5872589
National Library Of Medicine
Pacientes com lúpus eritematoso sistêmico em uso de hidroxicloroquina ou cloroquina desenvolvem COVID-19 grave com frequência semelhante a pacientes que não tomam antimaláricos: é necessário explorar os benefícios antitrombóticos da coagulopatia por COVID-19. Resposta a: ‘Curso clínico de COVID-19 em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico em tratamento prolongado com hidroxicloroquina’ por Carbillon et al.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32475831/
The New England Journal of Medicine
A doença de coronavírus 2019 (Covid-19) ocorre após a exposição ao coronavírus 2 da síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2). Para as pessoas expostas, o padrão de atendimento é observação e quarentena. Não se sabe se a hidroxicloroquina pode prevenir a infecção sintomática após a exposição à SARS-CoV-2.
https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2016638
A literatura científica, com estudos consistentes, não endossa a até o momento,  a prescrição de hidroxicloroquina para o tratamento da COVID-19 para casos leves e profilaxis. Parte dos trabalhos apontam ainda que, não houve ganho considerável na saúde dos pacientes com o uso da cloroquina.
Contudo reforça que, assim como recomenda o Ministério da Saúde, não há proibição para que médicos a prescrevam, com o consentimento do seus pacientes,  se reponsabilizando por todos as consequência, o que já é inerente à profissão.”


O que pensa este analista político?

Certamente, a medicina é exercício de médicos, não de desocupados de Whatsapp. O comportamento viral ainda é pouco conhecido, suas mutações parcamente mapeadas e suas formas de contágio pouco claras. Não será um vereador com um berrante nos microfones radiofônicos ou pós-doutores em porcaria nenhuma, boxeadores de smartphones, que mudarão tais fatos.
Tenho problemas gravíssimos com protocolos impostos de cima para baixo, como os da OMS, que mais errou que acertou -tema para um outro texto. No entanto, trata-se de uma pandemia que ceifa vidas não só dos bovinos que participam de festas, saem sem máscara e outras sandices, mas também daqueles que tomam precauções e que em nada têm com a imbecilidade alheia. São responsáveis pela morte de pais de família, trabalhadores, filhos e amigos. Pior, tomam suas vagas no sistema público de saúde. Escória, lixo humano. Analfabetos funcionais que sequer sabem soletrar algoritmo. Duarte Nogueira foi polido em suas palavras. Em seu lugar, perguntaria apenas aonde está o diploma médico, CRM e os estudos desenvolvidos pelo requisitante. Como costumam resenhar os boleiros com novatos folgados, pergunto então: jogou onde, fera? Ganhou o quê? Vai buscar o Gatorade. Ou lavar uma pia de louça suja.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui