Na próxima segunda-feira (27/09) é comemorado o Dia Nacional da Doação de Órgãos, uma oportunidade para conscientizar a população sobre a importância deste ato que pode salvar vidas. O ano de 2020, que marcou o início da pandemia, não foi nada favorável aos pacientes em lista de espera para o transplante de órgãos no Brasil. As cirurgias de transplante, que vinham aumentando ano a ano, sofreram uma queda histórica em comparação aos últimos dez anos.

Algumas foram mais afetadas como é o caso do transplante de rins de doador vivo, que teve redução de 64%. No caso dos transplantes de rins em vida, foram realizadas apenas 411 cirurgias do tipo em 2020, ante 1.076 em 2019, segundo o relatório da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).  O cenário da Covid-19 impacta diretamente na realização dos transplantes, a qual deve sofrer altos e baixos até o controle dos casos de infecção e a imunização completa da população.

A Coordenadora dos Transplantes da Fundação Pró-Rim, a médica nefrologista Dra. Luciane Mônica Deboni, faz uma avaliação do quadro de transplantes no país, diante da pandemia. “Até 2019, o Brasil vinha numa curva ascendente, porém, a partir de 2020, esses números obviamente caíram abruptamente não só no Brasil, mas no mundo. Como o país têm suas diferenças, com variados cenários, em algumas regiões os transplantes foram mantidos por algum tempo, mas cedo ou tarde também tiveram que suspender as cirurgias temporariamente”, avalia a médica.

Vidas transformadas pela doação

De acordo com os dados da ABTO, mais de 45 mil pessoas aguardam em lista por uma doação de órgão, sendo destes mais de 25 mil pacientes esperam por um rim. A doação de órgãos pode salvar a vida de até 10 pessoas. No caso dos rins, o transplante é indicado para pacientes renais crônicos, os quais perderam a função renal e que dependem do tratamento de diálise para sobreviver. “O transplante renal não é a cura, mas um tratamento que pode ofertar uma qualidade de vida melhor para este paciente”, explica a médica.

O transplante pode significar vida nova, sem a necessidade de comparecer à clínica três vezes por semana e de se conectar a máquina de diálise por até 4 horas, tendo assim a possibilidade de trabalhar, estudar e ter uma vida social.

Uma destas vidas transformadas foi a do jogador de futebol Marcelo Costa, que completou um ano do transplante renal. Atuante em diversos clubes tradicionais do país, entre eles Grêmio, Juventude e Caxias, do (RS); Palmeiras e São Caetano (SP); Payssandu (PA) e Joinville Esporte Clube – JEC (SC), ele participou da conquista de vários títulos do futebol brasileiro até descobrir a doença.

Em 2016, quando jogava pelo Payssandu de Belém (PA), teve um mal-estar ao final do treino. Após muitos exames, veio o diagnóstico de nefrite e a perda da função renal. A partir disso, Marcelo teve que iniciar o tratamento de diálise peritoneal, onde ficava conectado a uma máquina por 10 horas todos os dias.

“Enfrentei muitas dificuldades como mal-estar, enjôos frequentes, pressão alta, inchaço, dores, fraqueza, dificuldades para levantar todas as manhãs, pois dormia muito pouco devido às longas horas de diálise. Isso sem contar a insegurança emocional que me afetava todos os dias, ao saber que nunca mais iria exercer a minha profissão, ou seja, jogar futebol. Para mim tudo acabou em segundos. Então, entendi que precisava me reconstruir”, relembra Marcelo.

Em junho de 2020, ele recebeu a tão esperada notícia do transplante. “Quero agradecer muito à família do doador que com esse gesto de amor me deu essa oportunidade de recomeçar a vida e com saúde”, enfatiza. O jogador pretende continuar no universo do futebol, atuando em suas escolinhas para crianças em Caxias do Sul (RS). “Logo estarei lançando alguns craques para o futebol brasileiro”, diz o jogador.

Os transplantes renais em Joinville (SC) são realizados pela equipe da Fundação Pró-Rim em parceria com o Hospital Municipal São José.

Como ser um doador de órgãos?

O Brasil é o país com o maior sistema público de transplantes do mundo, no qual realiza cerca de 90% dos transplantes via Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar disso, o número de doações efetivas ainda é baixo em relação ao número de pessoas que aguardam em lista.

Principalmente, porque a família não fica sabendo do desejo do parente em doar os órgãos e salvar vidas. “Por isso é de extrema importância avisar a família ainda em vida o desejo de ser doador de órgãos”, declara Dra. Luciane, que completa: “Hoje, milhares de vidas dependem da consciência de familiares que perderam entes queridos. É importante ressaltar que para ser doador não precisa deixar nenhum documento expresso. Basta conversar com os familiares, manifestando esse desejo”, enfatiza a médica.

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