Foto: Diana Polekhina/Unsplash

Escovar os dentes três vezes ao dia é um hábito essencial para garantir uma melhor saúde bucal. Mas, além da quantidade de vezes que a boca deve ser higienizada, é preciso se atentar à qualidade da escovação, ou seja, se ela é feita de forma correta ou não. Escovar os dentes com muita força, embora possa dar a ideia de que ajuda na limpeza e remoção de restos de alimentos, pode prejudicá-los mais do que beneficiá-los.

“Ao higienizar os dentes, o importante é desorganizar e eliminar a comunidade microbiana que está na superfície dentária, isto é, a placa bacteriana. Qualquer escovação mecânica tem força e energia suficiente para desorganizá-la e removê-la. Portanto, não há a necessidade de utilizarmos força excessiva para essa remoção”, explica o Dr. Ricardo Schmitutz Jahn, membro da Câmara Técnica de Periodontia do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP).

Quando é utilizada muita força durante a escovação, a boca pode sofrer lesões em seu interior, como na gengiva, nas bochechas, na língua ou embaixo dela, além do desgaste dental, o que pode levar à abrasão dos dentes. Esses fatores podem resultar na sensibilidade dentária, já que a base do dente fica exposta e sem a proteção do esmalte, além do risco de aparecimento de doenças bucais, como a cárie e o bruxismo.

Suavidade e calma na hora da escovação

A orientação para uma boa escovação bucal, segundo Ricardo, é que o processo de limpeza seja feito com cuidado e sem pressa. “A higienização com escova dentária deve ser realizada com calma e com bastante atenção para que a escova alcance a área entre os dentes e a gengiva e não machuque nenhuma estrutura. Lembre-se, o que deve ser escovado é o dente. A gengiva não precisa ser escovada. Gengiva gosta de dente limpo. Isso é o suficiente para ela”, diz o cirurgião-dentista.

A escovação também possui técnicas que variam conforme a idade, formato da arcada dentária, tamanho e posição dos dentes, mas a aplicação deve se basear na orientação de um profissional em saúde bucal que indique a técnica mais adequada para um melhor resultado. “De um modo geral, movimentos vibratórios das pontas das cerdas da escova sobre as coroas dos dentes, junto à gengiva, são efetivos para a remoção da placa”, comenta o Dr. Jahn.

Dê preferência a escovas com cerdas mais macias

Outro fator importante são as escovas utilizadas na hora da limpeza dos dentes. Há diversos modelos que são feitos para os mais variados casos, como idade, diferenças no tamanho do arco dental, tipo de gengiva e casos específicos, como aparelhos ortodônticos.

No caso de escovas com cerdas mais duras, sua utilização é indicada para a higienização de próteses dentárias removíveis. Porém, são contraindicadas para uso em geral, pois podem trazer lesões à cavidade bucal. “As escovas mais duras, ao invés de apenas remover a placa bacteriana, vão ajudar a desgastar as superfícies dentais, principalmente quando o indivíduo já tem retrações na sua gengiva”, detalha o Dr. Jahn.

O cirurgião-dentista explica que, para o uso diário, as escovas mais indicadas são as que possuem cerdas mais macias, o que não compromete a limpeza e diminui o risco de lesões. “Escovas macias são firmes o suficiente para remover o biofilme e diminuem o risco de abrasão dentária e ferimentos nas gengivas e outros tecidos da boca, uma vez que transferem menos força para a ponta das cerdas”.

Portanto, a escova ideal é aquela que se adequa melhor às condições e particularidades da boca de cada pessoa, mas o cirurgião-dentista ressalta: “O ruim mesmo é não usar escova. Em alguns lugares, o acesso a uma “boa” escova de dentes pode ser difícil. Nessas situações é melhor que se use uma escova fora de padrões do que não usar”.

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