Foto: Rafael Cautella

*Por Gabriel Carabolante, com supervisão de João Pitombeira

A venda dos remédios azitromicina, ivermectina e hidroxicloroquina está em queda comparada há três meses, quando a média de casos confirmados e mortes pela pandemia era mais alta que dos dias atuais. De acordo com dados da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, as vendas dos medicamentos que formam o chamado “kit covid”, além dos três citados, também nitazoxanida e doxiciclina, mais que quintuplicaram em 2020 para 6 das 30 fabricantes de ao menos um desses remédios. Um levantamento feito pelo CDN aponta que Ribeirão Preto refletiu o contexto nacional.

As empresas não possuem dados oficiais sobre o “kit covid”, mas todos os profissionais que conversaram com a reportagem apontaram a alta em meses passados e a atual queda, porém, os índices de procura seguem mais altos do que antes da pandemia. A pesquisa foi feita em 6 de julho, em quatro redes de farmácias populares de Ribeirão Preto. Os números aproximados apontam uma queda de 55% em relação a março e abril que registraram uma alta superior a 100%. No Brasil, as vendas de hidroxicloroquina subiram 173% em fevereiro desse ano, em relação ao ano passado, as de ivermectina mais de 700%.

Os medicamentos são usados para o chamado “tratamento precoce’ contra a Covid-19, que não tem nenhuma eficácia comprovada pela ciência na prevenção e combate à doença. Ao contrário, o método é contraindicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos e da Europa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Segundo a farmacêutica Daniela Fernandes de Freitas, muitas pessoas acreditam que o “kit covid” funciona, pois têm a sensação de não terem tido sintomas graves e nem dependerem de uma UTI. Isso ocorre porque em muitos casos o paciente tem a melhora rápida e sintomas leves. Os pacientes ficam, então, com uma falsa sensação da ação dos medicamentos.

Imagem Ilustrativa

Influencer da cloroquina

O Governo Federal defendeu de forma ampla o uso desses medicamentos. No mês de abril, a Justiça Federal proibiu a Secom, a Secretaria de Comunicação do Governo, de realizar campanhas incentivando o uso. A decisão foi da juíza da 6° Vara Cível Federal de São Paulo, Ana Lúcia Petri Betto, que impôs o fim de propagandas que não tenham dados científicos comprovados.

No mês de junho, o presidente Jair Bolsonaro insistia em defender o uso da cloroquina. De acordo com dados da ferramenta CrowdTangle, que possibilita o cruzamento de dados sobre o envolvimento dos usuários do Facebook em determinado conteúdo, Bolsonaro é o maior influenciador da cloroquina no mundo com 11 milhões de interações e 1,7 milhão de compartilhamentos na rede. O presidente ficou à frente do ex-presidente dos EUA Donald Trump, que teve 1,1 milhão de interações sobre a cloroquina.

A seguir, uma explicação rápida e clara sobre os medicamentos:

  • Ivermectina

É um antiparasitário. Uso feito para combater piolhos, vermes, e parasitas em geral.

  • Hidroxicloroquina

Tanto o hidroxicloroquina como a Cloroquina são comprimidos usados par tratar lúpus, artrite reumática e malária.

  • Azitromicina

É um antibiótico com o efeito antibacteriano. Luta contra várias bactérias responsáveis pela bronquite, pneumonia, sinusite, IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis) entre outras.

As redes que colaboraram com dados foram: Drogão Super, DuFarma, Pague Menos e Drogaria São Carlos.

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