Estigmas e preconceitos ainda permeiam a sociedade quando nos referimos à saúde mental. Dentro de um processo histórico, os pacientes eram tratados com muita violência, considerando apenas os aspectos biológicos e não o todo do ser humano. Nisso, foi construído um imaginário da loucura, onde os loucos são tidos como irresponsáveis, incapazes, violentos e tantas outras características. E nesse pensamento, os “loucos” deveriam ser afastados da sociedade.

Atualmente, ainda existem alguns movimentos que apoiam essa ideia de exclusão das pessoas com doenças mentais da sociedade. O que podemos considerar um verdadeiro retrocesso à luta que se faz pela saúde mental no Brasil. 

Alei da reforma psiquiátrica de 2001 foi um marco no movimento de humanização dos tratamentos das pessoas com transtornos mentais. Ela sinalizou, de forma definitiva, o fim dos manicômios, preconizando que os pacientes não devem ficar isolados da sociedade. Nesse modelo, os pacientes continuam com o atendimento e muitas vezes precisam de medicação, mas sem dúvidas, recebem também acolhimento e escuta empática.

É importante ressaltar que quanto estamos falando de saúde mental, nos referimos a uma pessoa que está com sintomas de uma doença. Este indivíduo não é a doença, continua sendo alguém que tem vida, família, amigos, ou seja, possui uma base comunitária para dar conta de sua vida como um todo e não a resumir na própria doença. Os sintomas e o diagnóstico fazem parte de sua história, mas não a definem.

Atualmente já temos dados animadores sobre os benefícios experimentados pelos pacientes que estão em atendimento psicossocial, convivendo em sociedade. E para que continuemos progredindo, a saúde precisa de investimento nos atendimentos, com dispositivos adequados, que incentivam o paciente a ser o protagonista do seu tratamento e lidar com suas fragilidades. O paciente precisa ter a dignidade de estar no centro do seu tratamento e da sua vida. 

O que pedimos é que o modelo de assistência de saúde mental continue a avançar e ter, a cada dia que passa, um tratamento mais humanizado, pensando no ser humano como um todo e não apenas a parte doente. Reiteramos a relevância de atendimento, cuidado, zelo e escuta empática às pessoas, tenham elas diagnóstico ou não, na qual todas são portadoras de direitos e precisam ter sua dignidade humana reestabelecida.

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