Setembro é o mês de conscientização sobre a prevenção do suicídio. Desde 2015, existe a Campanha Setembro Amarelo, que estimula ações em diferentes esferas sociais em busca de promover a saúde mental e dar destaque a centros que oferecem ajuda a quem precisa.

O suicídio, é o ato de causar a própria morte de forma intencional, está associado a pensamentos fantasiosos de controle, libertação, reencontro ou punição.

Freud dizia que o ato de suicidar-se era uma maneira de matar um objeto de raiva e rancor, que representava uma violência interiorizada cometida contra si, mas destinada a outrem. São inúmeras as teorias que tentam destrinchar o suicídio e no fim, talvez seja a soma de todas que resulte em um desfecho final tão abrupto e fatídico.

FATORES DE RISCO

Grande parte das pessoas que cometem o suicídio convivem com um transtorno mental subjacente como depressão grave, bipolaridade ou esquizofrenia, e acreditam que retirando a própria vida estão optando pela solução que vai livrá-las de toda dor e sofrimento que estão passando. O ato pode ser feito em um impulso, um momento de perda de controle e ação impensada, também pode ser consequência de um surto psicótico, ou pode ser planejado detalhadamente por um longo tempo antes do desfecho final.

CARÁTER MULTIFATORIAL

Apesar da causalidade ainda não ser totalmente conhecida e ter um caráter multifatorial, muitos são os fatores que fazem com que uma pessoa seja mais suscetível ou vulnerável ao ato. Traumas de infância como abandono, negligência e violência, representam um dos cenários mais presentes em vítimas de suicídio, uma vez que quanto mais precoce são as experiências traumáticas, mais profundas são suas consequências. Isso não quer dizer que uma pessoa que passou por uma experiência traumática cometerá o suicídio, mas sim que essas pessoas são mais vulneráveis a isso.

EXPERIÊNCIAS NEGATIVAS

Outras experiências dolorosas como bullying, abusos sexuais, físicos e psicológicos, divórcios conturbados e famílias disfuncionais, são recorrentemente encontrados no histórico de pessoas suicidas. Acredita-se que muitas vezes o suicídio deriva de um estímulo que remeta a uma dor ou sofrimento profundo ou que seja uma consequência do acúmulo de emoções e experiências negativas. Algumas pessoas suicidas presenciaram o suicídio de um familiar ou tem histórico de suicídio na família.

ATENÇÃO AOS SINAIS

Pessoas com tendências suicidas costumam pensar muito na morte e não veem razão ou sentido em viver, têm um discurso pessimista e não falam sobre o futuro, nem se imaginam tendo um. Essas pessoas costumam ser inseguras e ter baixa autoestima. Se isolam, não sentem-se compreendidas, carregam um forte sentimento de culpa e, muitas vezes, podem achar a própria existência inútil e desprezível.
Muitas vezes recorrem ao autoflagelo através de mutilações e podem falar em tom de despedida. Todas essas mudanças de comportamento e humor podem ocorrer abruptamente ou se desenvolverem aos poucos, por isso é importante ficar atento aos sinais.

COMO EVITAR

A melhor forma de evitar o suicídio é tratar os possíveis transtornos psiquiátricos subjacentes com medicamentos (antidepressivos, ansiolíticos, antipsicóticos) e psicoterapia. O monitoramento de pessoas com tendências suicidas é muito importante, assim como o apoio familiar. Manter um diálogo aberto e fortalecer os vínculos são fundamentais para as pessoas que pensam em cometer o ato.
Restaurar a vontade de viver, incentivar sonhos e atividades que costumavam ser prazerosas para pessoas podem representar um reforço positivo muito necessário nessas horas, assim como lembrar que a pessoa não está sozinha e que terá o apoio que precisar independentemente do que estiver passando.

CIRCUNSTÂNCIAS IMPREVISÍVEIS

E apesar de tudo, os familiares e profissionais envolvidos devem estar sempre atentos, pois o suicídio costuma ser imprevisível e não há 100% de certeza que uma pessoa que pensa no ato não vá chegar às vias de fato. A família deve fazer o possível e não se culpar pelas circunstâncias.

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